Brasília e São Paulo — Dados da Receita Federal enviados à CPI mista do INSS mostram que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, recebeu R$ 71,4 milhões em rendimentos de aplicações financeiras entre 2016 e 2024. Do total, foram recolhidos R$ 11,7 milhões em Imposto de Renda.
Cerca de 75% dos ganhos, equivalente a R$ 53,2 milhões, vieram de renda fixa aplicada em ao menos 12 instituições. O próprio Banco Master lidera a lista, com R$ 12,3 milhões pagos a Vorcaro. Na sequência aparecem Banco Máxima (R$ 10,4 milhões), BTG Pactual (R$ 7,5 milhões, sendo R$ 5 milhões de uma só operação) e B3 (R$ 362 mil).
Rendimentos de renda variável somaram R$ 11,7 milhões. Fundos de investimento responderam por R$ 5,7 milhões, enquanto planos de previdência privada acrescentaram R$ 725 mil e títulos de capitalização, R$ 13,7 mil — principalmente do Bradesco.
Entre os fundos, destacam-se repasses em 2024 de R$ 386 mil de um fundo imobiliário e R$ 124 mil de um fundo de infraestrutura, ambos no BTG Pactual. Nos planos de previdência, o Bradesco declarou R$ 504 mil e o Itaú, R$ 175,7 mil ao longo do período.
Mesmo com altas cifras em aplicações sofisticadas, Vorcaro mantinha recursos na caderneta. Ao fim de 2024, havia R$ 596,6 mil em conta poupança no Safra, que rendeu R$ 39 mil no ano, e R$ 77,7 mil no Bradesco.
O Banco Master pagou a Vorcaro R$ 30,9 milhões; a XP, R$ 13,9 milhões; e o BTG, R$ 11,6 milhões. No conjunto, bancos e corretoras listaram pagamentos em 12 instituições diferentes.
Os números consideram apenas valores informados na DIRF por bancos, corretoras e a B3. Ficam fora salários, dividendos empresariais e rendimentos inferiores a R$ 1.
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Além dos investimentos, Vorcaro recebeu R$ 1,7 milhão em salários do Banco Master em 2024. O valor mensal era de R$ 96 mil até agosto, subindo para R$ 100,6 mil a partir de setembro.
Vorcaro foi preso preventivamente no início de março na operação Compliance Zero, por decisão do ministro André Mendonça, do STF. A Polícia Federal encontrou mensagens sobre tentativa de forjar assalto ao jornalista Lauro Jardim e a existência de uma suposta milícia privada chamada “A Turma”. Servidores do Banco Central e o cunhado de Vorcaro também foram alvo da ação.
Em mensagens de abril de 2025, Vorcaro relatou à namorada, a influenciadora Martha Graeff, que “André” — provável referência ao empresário André Esteves, do BTG Pactual — havia “baixado a guarda” em meio a negociações para usar o Fundo Garantidor de Créditos e adquirir cerca de R$ 3 bilhões em precatórios do Master.
Parlamentares da CPI afirmam que outras conversas apontam as dificuldades de Vorcaro para viabilizar operações que pudessem salvar o banco, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.