Miami – O planeta registra hoje 65 conflitos armados em andamento e cerca de 20 tentativas de golpe de Estado, afirmou o estrategista geopolítico Thomas Mucha, da Wellington Management, durante painel na XP Global Conference 2026.
Segundo o especialista, essas tensões marcam o fim de um ciclo de cerca de 80 anos de relativa estabilidade e globalização, dando lugar a um “novo realismo” em que nações recuam em iniciativas integracionistas e priorizam segurança alimentar, energética e tecnológica.
Mucha destacou que a área compreendida por 30 graus ao norte e ao sul da Linha do Equador – chamada por ele de “Zona de Calor” – deverá concentrar novos focos de instabilidade na próxima década. Escassez de água e migrações climáticas tendem a pressionar países como Irã, Afeganistão, além de porções de Taiwan e da China continental, exemplificou.
A rivalidade entre Estados Unidos e China, apontada como variável-chave para os próximos cinco, dez e vinte anos, reforça o quadro de polarização global. Para políticos norte-americanos, Pequim já representa o maior desafio à ordem internacional liderada por Washington. O avanço econômico chinês, observou Mucha, costuma ser acompanhado de expansão diplomática e militar – dinâmica conhecida na academia como “Armadilha de Tucídides”, conceito popularizado pelo cientista político Graham T. Allison.
Em um cenário de maior fragmentação e volatilidade, investidores precisam recalibrar carteiras, recomendou o analista. As sugestões incluem gestão ativa, diversificação global e apostas de longo prazo em inovação na área de defesa e em estratégias ligadas ao clima. A avaliação, acrescentou, deve ser granular, focada em países e setores específicos, porque haverá ganhadores e perdedores.
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Os conflitos já proporcionaram o mais duradouro suporte aos preços do petróleo da história, o que adiciona pressão inflacionária mundial, alertou Mucha. A duração das disputas, sobretudo no Oriente Médio, influencia diretamente valores de energia, inflação e política monetária global. O gás natural liquefeito (GNL) também merece atenção, principalmente para Europa e Norte da Ásia, regiões vulneráveis a quebras de fornecimento.
Nos Estados Unidos, o custo dos combustíveis tem peso relevante na política doméstica. Segundo o estrategista, preços na bomba são decisivos para o apoio popular ao governo e podem impactar as eleições legislativas de meio de mandato previstas para novembro deste ano. “É tudo sobre a crise do preço dos combustíveis”, resumiu.