Curva de juros recua até 30 pontos-base após intervenções do Tesouro

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A taxa dos contratos futuros de juros no Brasil encerrou a segunda-feira (16) em forte queda, após o Tesouro Nacional realizar duas operações de compra e venda de títulos públicos para conter distorções na curva.

Os recuos ultrapassaram 30 pontos-base em diversos vencimentos. O Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 terminou a 14,070% ao ano, ante 14,315% no ajuste anterior, queda de 25 pontos-base. No prazo médio, o DI para janeiro de 2030 cedeu de 14,080% para 13,655%. Já o contrato de longo prazo, para janeiro de 2036, recuou de 14,190% para 13,740%.

Como foram as intervenções

Pela manhã, o Tesouro cancelou os leilões tradicionais de NTN-B, LTN e NTN-F previstos para esta semana, mantendo apenas o leilão de LFT de terça-feira. Em paralelo, anunciou a realização de operações extraordinárias para garantir o bom funcionamento do mercado.

Foram dois leilões ao longo do dia. Às 10h30 (horário de Brasília), o órgão recomprou 14,8 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e 2,45 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F). Às 15h30, adquiriu 3,552 milhões de Notas do Tesouro Nacional-Série B (NTN-B) e vendeu, simultaneamente, 150 mil papéis do mesmo tipo.

Segundo economistas, as operações miraram ajustes na estrutura a termo em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os mercados.

Fatores externos e dados domésticos

A queda das taxas também acompanhou o arrefecimento dos preços do petróleo e dos rendimentos dos títulos do governo dos Estados Unidos. O yield do Treasury de 10 anos fechou a 4,222%, abaixo dos 4,285% da sessão anterior.

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Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br

No cenário doméstico, o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br) subiu 0,80% em janeiro frente a dezembro, abaixo da expectativa de alta de 0,85% apurada pela Reuters, o que contribuiu para o alívio nos juros.

Expectativa para a Super Quarta

Com a movimentação da curva, o mercado passou a precificar 90% de probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira (18); a chance de manutenção ficou em 10%. Na sexta-feira, essas probabilidades eram de 65% e 35%, respectivamente. A taxa básica está em 15% ao ano.

Instituições financeiras revisaram suas projeções: algumas reduziram a estimativa de corte de 0,50 ponto para 0,25 ponto e, ao longo desta segunda-feira, parte do mercado passou a considerar a possibilidade de estabilidade.

Nos Estados Unidos, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indica 99,1% de probabilidade de o Federal Reserve manter os juros entre 3,50% e 3,75% na quarta-feira. A expectativa é que o ciclo de cortes comece somente em setembro.

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