Meirelles aponta cenário de incerteza para decisão do Copom sobre juros

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O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles afirmou nesta segunda-feira (18) que a autoridade monetária deliberará sobre a taxa básica de juros em meio a um ambiente de elevada incerteza. O comentário foi feito durante o Global Invest Day, evento promovido pela Nomad, em São Paulo.

Segundo Meirelles, o conflito no Irã tem aumentado os riscos globais, especialmente pela possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo, o que pode gerar nova pressão inflacionária internacional. “Uma eventual alta no preço do petróleo encarece o transporte, atinge praticamente toda a economia e eleva as expectativas de inflação. O Banco Central terá de decidir em um quadro mais indefinido”, disse.

Para o ex-ministro da Fazenda, o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta quarta-feira, dependerá da duração do conflito e do comportamento do comércio no estreito de Hormuz. Ele ressaltou que não é possível prever com segurança se a taxa Selic será reduzida em 0,25 ponto percentual ou mantida nos atuais 15%.

Mercado dividido

Relatório divulgado pelo banco XP nesta segunda-feira projeta manutenção da Selic em 15% por mais um ciclo. Já o Boletim Focus, publicado pelo próprio Banco Central, mostra que parte dos analistas ainda aposta em corte de 0,25 ponto, para 14,75%. Na semana passada, a mediana das expectativas apontava queda maior, para 14,5%.

A incerteza também se refletiu nos juros futuros. Para conter a escalada das taxas, o Tesouro Nacional recomprou R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados e R$ 15,4 bilhões em papéis atrelados ao IPCA.

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Imagem: redir.folha.com.br

Revisão de benefícios sociais

Durante o evento, Meirelles defendeu uma “revisão corajosa” dos programas de assistência, além dos pente-finos já conduzidos pelo governo. Ele reiterou que o melhor benefício social é o emprego gerado pelo setor privado, pois oferece remuneração superior à obtida por meio de subsídios que, segundo ele, não se sustentam no longo prazo.

Henrique Meirelles presidiu o Banco Central de 2003 a 2011, nos dois primeiros mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva, e ocupou o Ministério da Fazenda entre 2016 e 2018, no governo Michel Temer.

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