As conexões de usinas solares à rede elétrica dos Estados Unidos diminuíram 14% em 2025, reflexo de medidas do governo Donald Trump que priorizaram combustíveis fósseis e reduziram o apoio oficial às renováveis. O dado consta de relatório divulgado em 10 de março pela Solar Energy Industries Association (SEIA) em parceria com a consultoria Wood Mackenzie.
Mesmo com o recuo, a energia solar manteve o posto de principal fonte de nova capacidade instalada no país no ano passado. Já o armazenamento em baterias avançou para o maior nível anual da série histórica, segmento que recebeu menos críticas da administração republicana.
Logo após retornar à Casa Branca, Trump determinou cortes de centenas de milhões de dólares em programas federais de eficiência e geração limpa. O Departamento de Energia (DOE) concentrou os ajustes em projetos solares e eólicos, enquanto outras agências frearam análises ambientais necessárias para autorizar novos empreendimentos.
“A ênfase federal em combustíveis fósseis e o distanciamento das fontes limpas impactaram a indústria solar de forma inegável”, afirmou Michelle Davis, responsável global por estudos de energia solar na Wood Mackenzie Power & Renewables.
O secretário de Energia, Chris Wright, ex-executivo do setor de petróleo e gás, disse na conferência CERAWeek, em Houston, que renováveis são “inadequadas e não confiáveis”, acrescentando que não vê como solar, eólica e baterias possam substituir o gás natural no curto prazo. Ao mesmo tempo, o DOE ampliou verbas para carvão, gás e nuclear.
A guerra no Irã, que elevou preços internacionais de energia, pode alterar a dinâmica de investimentos, mas os efeitos permanecem indefinidos. Alta prolongada nos custos de combustíveis fósseis tende a estimular compras de painéis e baterias, embora governos possam responder reforçando subsídios a fontes convencionais.
Apesar das restrições, a Administração de Informação de Energia (EIA), órgão do DOE, projeta que a energia solar representará ligeiramente mais da metade dos projetos de geração previstos para 2026. Os estados com maior volume de novas usinas devem ser Texas, Arizona, Califórnia e Michigan.
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No caso das baterias de grande porte, o governo adotou postura menos rígida, favorecendo a aprovação de empreendimentos, sobretudo na Califórnia e no Texas.
A Wood Mackenzie calcula que a capacidade solar adicionada no mundo deve triplicar até 2035, puxada por países como Índia e Arábia Saudita. Contudo, o crescimento começa a perder ritmo em mercados consolidados. A consultoria projeta queda de 32% nas novas instalações chinesas em 2026, devido a mudanças regulatórias que reduziram a rentabilidade do setor. Esse movimento pode causar retração global de cerca de 20% no curto prazo.
No território norte-americano, a potência instalada em sistemas de armazenamento subiu 30% em 2025 frente ao recorde do ano anterior, quadruplicando em relação a três anos antes. Além de concessionárias de eletricidade, consumidores residenciais e corporativos instalaram baterias para complementar painéis solares ou como proteção contra blecautes.
Darren Van’t Hof, presidente interino da SEIA, alertou que, sem revisão das ações federais que miram o setor, “os americanos enfrentarão tarifas mais altas e uma rede menos resiliente”.
Ainda assim, especialistas do mercado acreditam que, caso os preços de combustíveis sigam elevados e alguns estados mantenham incentivos locais, 2026 pode marcar novo avanço das renováveis no país.