NOVA YORK – O economista EJ Antoni, indicado por Donald Trump em agosto para comandar o Bureau of Labor Statistics (BLS) e retirado um mês depois, declarou que a economia dos Estados Unidos “não é capaz de lidar” com o barril de petróleo a US$ 100 no cenário de guerra contra o Irã.
“Simplesmente não acho que esta seja uma economia que possa suportar o petróleo a US$ 100”, disse Antoni ao Financial Times nesta quarta-feira (18). O economista também alertou para um movimento de alta nos preços ao consumidor provocado pelo conflito.
Segundo ele, “a economia está mais fraca e a inflação, pior do que imaginávamos”, comentário feito horas antes de o Federal Reserve manter a taxa básica de juros inalterada.
Antoni lembrou que os preços menores de energia em 2025 ajudaram a conter a inflação, mas avaliou que a atual escalada terá o efeito oposto. Nesta quarta, o Brent avançou mais de 5% e se aproximou de US$ 110 o barril.
O encarecimento dos combustíveis pressiona os republicanos às vésperas das eleições de meio de mandato. Nos postos, o galão de gasolina subiu para US$ 3,84, ante US$ 2,92 há um mês; o diesel ultrapassou US$ 5.
Indicadores divulgados antes do ataque conjunto de EUA e Israel contra o Irã reforçam a preocupação:
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Antoni atribuiu parte da retração no mercado de trabalho aos cortes no funcionalismo federal e voltou a criticar o BLS, que chamou de “gerador de números aleatórios” em publicação no X em maio passado. O economista defende “uma revisão completa” dos processos de coleta, processamento e divulgação de dados, citando inclusive vazamentos – episódio que ganhou destaque quando Trump divulgou números de emprego horas antes da publicação oficial em janeiro.
Na terça-feira (17), o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo renunciou em protesto contra a guerra, registrando a primeira baixa significativa no governo Trump desde o início do conflito.
Questionado sobre a retirada de sua indicação ao BLS, Antoni se limitou a dizer que prefere manter a conversa com o ex-presidente em sigilo. Trump acabou escolhendo o economista governamental Brett Matsumoto para o cargo, ainda sujeito à aprovação do Senado.