Duas das principais plataformas de mercado de previsões, Kalshi e Polymarket, anunciaram nesta segunda-feira (22) medidas mais rígidas para impedir negociações com informação privilegiada, movimento que coincide com a apresentação, no Congresso dos Estados Unidos, de um projeto de lei bipartidário que pretende proibir contratos de eventos considerados equivalentes a apostas esportivas.
A Kalshi informou que passará a bloquear:
Horas antes, a rival Polymarket divulgou restrições ainda mais amplas, banindo usuários que:
As plataformas vinham sendo alvo de críticas desde que usuários da Polymarket lucraram com apostas feitas pouco antes de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, além de uma operação militar norte-americana planejada para capturar o presidente venezuelano Nicolás Maduro. Segundo o ex-analista de pesquisas da Cointelegraph, Ben Yorke, as apostas relacionadas ao Irã indicavam acesso prévio a informações sensíveis, pois foram realizadas ao preço de mercado e com múltiplas contas para mascarar a identidade dos responsáveis.
A Kalshi afirmou que seu novo conjunto de regras vinha sendo elaborado há meses, de forma a antecipar orientações regulatórias e propostas legislativas voltadas a combater a manipulação de mercado em plataformas de previsão.
No mesmo dia, o senador democrata Adam Schiff e o republicano John Curtis apresentaram o “Prediction Markets Are Gambling Act”. A proposta proibiria entidades registradas na Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) — categoria que inclui as operações norte-americanas de Kalshi e Polymarket — de listar contratos de eventos que se assemelhem a apostas esportivas ou a jogos de cassino.
Imagem: cointelegraph.com
Schiff argumentou que contratos de previsão esportiva não passam de apostas com outro nome e vêm sendo oferecidos nos 50 estados em violação às leis estaduais e federais. Curtis acrescentou que o projeto esclarece a jurisdição regulatória, garantindo que os estados mantenham autoridade sobre apostas esportivas e jogos de cassino.
Em publicação na rede social X, Tarek Mansour, diretor-executivo da Kalshi e integrante da Coalizão para Mercados de Previsão, classificou a iniciativa como fruto da “lobby de cassinos”, afirmando que o objetivo não é proteger consumidores, mas preservar monopólios.
Kalshi, Polymarket e Coinbase enfrentam processos em vários estados norte-americanos, que sustentam ser necessário licenciamento estadual para oferecer contratos sobre eventos esportivos, por tratarem-se de jogos de azar. As empresas respondem que seus produtos não configuram apostas ilegais e, ainda assim, estariam sujeitos exclusivamente à supervisão da CFTC.