Washington, — A Comissão Federal de Comunicações (FCC) anunciou nesta segunda-feira a proibição da importação de todos os novos roteadores de uso doméstico produzidos no exterior, medida que amplia as restrições a equipamentos eletrônicos de origem chinesa por motivos de cibersegurança.
Segundo a agência, uma análise coordenada pela Casa Branca concluiu que os aparelhos representam “grave risco” para a infraestrutura crítica dos Estados Unidos, podendo ser explorados para interromper serviços essenciais, realizar espionagem e facilitar o roubo de propriedade intelectual.
Estima-se que empresas chinesas detenham ao menos 60% do mercado norte-americano de roteadores residenciais — dispositivos que conectam computadores, celulares e aparelhos inteligentes à internet. A ordem da FCC não afeta o uso nem a comercialização de modelos já existentes, mas impede a entrada de novos equipamentos.
A decisão admite exceção para roteadores que o Departamento de Defesa considerar isentos de riscos inaceitáveis.
De acordo com a FCC, brechas em roteadores estrangeiros já foram utilizadas em ofensivas cibernéticas de larga escala, como as operações batizadas de Volt e Salt Typhoon. A agência afirma que agentes mal-intencionados têm explorado vulnerabilidades desses aparelhos para atacar residências, derrubar redes e coletar informações sigilosas.
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O deputado John Moolenaar, republicano de Michigan e presidente do comitê especial da Câmara sobre a China, elogiou a medida, classificando-a como essencial para proteger a infraestrutura digital norte-americana. A embaixada chinesa em Washington não comentou o anúncio.
No mês passado, o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, processou a TP-Link Systems — empresa sediada na Califórnia e originária de um grupo chinês — por suposta propaganda enganosa e por permitir acesso do governo de Pequim a dados de consumidores dos EUA. A companhia declarou que se defenderá “energicamente” e negou qualquer controle estatal chinês sobre suas operações ou produtos.
Em dezembro, a FCC já havia adotado regra semelhante que barra a importação de novos modelos de drones fabricados na China.