Google fixa 2029 como prazo para concluir migração à criptografia pós-quântica

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São Francisco, EUA – O Google definiu 2029 como data-limite para concluir a adoção de criptografia pós-quântica (PQC) em todos os seus produtos, alertando que avanços recentes em computação quântica podem encurtar o tempo necessário para quebrar os padrões de segurança atuais.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (27), a companhia afirmou que o progresso acelerado em hardware quântico e em técnicas de correção de erros, somado a novas estimativas sobre a velocidade com que um computador quântico poderia violar algoritmos de chave pública, torna urgente a transição para tecnologias resistentes a esse tipo de ameaça.

É a primeira vez que o Google divulga um cronograma público para a implementação total de capacidades pós-quânticas. A meta de 2029 antecipa previsões de parte da indústria sobre o chamado “Q-Day” – momento em que computadores quânticos conseguiriam quebrar a criptografia amplamente usada hoje.

Processador Willow no centro da estratégia

O plano de migração avança em paralelo ao desenvolvimento do Willow, chip quântico de 105 qubits que figura entre os mais potentes do setor, segundo o Google. A empresa considera que liderar o movimento e tornar o prazo público dará “clareza e senso de urgência” para outras organizações acelerarem suas próprias transições.

Efeitos sobre o mercado de criptoativos

A possibilidade de computadores quânticos romperem algoritmos que protegem chaves e assinaturas digitais preocupa o ecossistema de criptoativos. Ainda há debate sobre se apenas carteiras com chaves públicas expostas estariam em risco ou se todos os ativos seriam vulneráveis.

Na terça-feira (26), a Ethereum Foundation lançou o Post-Quantum Ethereum, hub de recursos dedicado a blindar a rede contra ameaças quânticas. O grupo trabalha para introduzir soluções resistentes ao problema no nível de protocolo até 2029; ajustes na camada de execução viriam em seguida.

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Imagem: cointelegraph.com

Já desenvolvedores da Solana criaram, em janeiro de 2025, um cofre quântico baseado em assinaturas de hash que gera novas chaves a cada transação. Para usar a funcionalidade, os fundos precisam ser mantidos em cofres Winternitz – a medida não é uma atualização de segurança para toda a rede.

No universo do Bitcoin, as opiniões divergem. O CEO da Blockstream, Adam Back, minimiza o risco quântico e defende que nenhuma ação seja tomada por décadas. Por outro lado, o pesquisador de segurança Ethan Heilman apresentou a Proposta de Melhoria do Bitcoin 360 (BIP-360), que cria o tipo de saída Pay-to-Merkle-Root para reduzir exposições curtas a ataques quânticos. Segundo ele, a implementação pode levar cerca de sete anos.

Com a publicação do cronograma, o Google espera que empresas e desenvolvedores antecipem planos de defesa e evitem uma corrida de última hora para adaptar sistemas a um cenário em que a criptografia clássica já não ofereça proteção suficiente.

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