Grandes detentores de Bitcoin adicionaram 61.568 BTC aos seus saldos nas últimas quatro semanas, enquanto tensões no Oriente Médio e dúvidas macroeconômicas ampliam a busca por proteção, indicou a plataforma Santiment nesta quinta-feira (21).
Dados da Santiment mostram que as chamadas “baleias” e “tubarões” — investidores que controlam de 10 a 10.000 BTC — elevaram suas reservas em 0,45% no período. Endereços menores, com menos de 0,01 BTC, aumentaram o saldo conjunto em 0,42%, o equivalente a 213 BTC.
A consultoria destaca que os saques líquidos de Bitcoin das corretoras continuaram ao longo de março, sinalizando preferência por manter os ativos longe dos locais de venda. Analistas da Santiment afirmam que a movimentação das grandes carteiras costuma anteceder rompimentos de preço, especialmente quando ocorre paralelamente à saída de capitais de investidores de varejo.
O movimento de compra ganhou força depois que Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã em fevereiro. Desde então, Teerã retaliou em países vizinhos, aumentando a instabilidade regional.
Apesar do saldo positivo, nem todos os grandes investidores aderiram à estratégia de acumular. Em 19 de março, duas baleias transferiram dezenas de milhões de dólares em BTC para exchanges, coincidindo com a queda do preço da criptomoeda e a alta dos custos de energia após ataques a infraestruturas de petróleo e gás no Golfo.
Imagem: cointelegraph.com
Para Dominick John, analista da Zeus Research, as baleias que seguem comprando “estão se posicionando antes de um possível rompimento, acumulando discretamente durante períodos de consolidação”. Já as carteiras menores estariam “impulsionadas pelo medo de perder a próxima alta”, completou.
Mesmo com a entrada de grandes investidores, o sentimento geral segue negativo. O Crypto Fear & Greed Index marcou 13 pontos nesta sexta-feira (22), patamar classificado como “medo extremo”. Na véspera o índice registrou 10 pontos; fevereiro também teve média em “medo extremo”.
Até o momento, os analistas avaliam que a continuidade do acúmulo pelas baleias depende da manutenção da faixa de preço atual e de um ambiente macroeconômico ainda favorável. Caso o apetite do varejo aumente de forma excessiva, há possibilidade de pausa ou leve correção antes de nova fase de compras.