São Paulo, 27 de março de 2026 – As ações preferenciais da Braskem (BRKM5) recuaram 11,53% na mínima do pregão, a R$ 8,98, depois de a companhia registrar prejuízo líquido de R$ 10,284 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 82% frente ao mesmo período de 2024.
Por volta das 13h20, os papéis ainda caíam 10,25%, negociados a R$ 9,11.
• Ebitda recorrente: R$ 589 milhões, crescimento de 6% em 12 meses.
• Receita líquida: R$ 16,101 bilhões, redução de 16% no comparativo anual.
O balanço recebeu parecer sem ressalvas da KPMG, mas a auditoria apontou “incerteza relevante” quanto à continuidade operacional.
BTG Pactual destaca que, apesar de o caixa ter subido para US$ 2,1 bilhões (ante US$ 1,3 bilhão no 3T25), a Braskem enfrenta vencimentos de cerca de US$ 1,5 bilhão em 2026, mantendo a liquidez pressionada. Os passivos relacionados a Alagoas recuaram de R$ 3,8 bilhões para R$ 3,5 bilhões.
Segundo o banco, o Ebitda mais fraco reflete o ciclo de baixa da petroquímica no Brasil e custos elevados nos EUA e Canadá, enquanto o México mostrou avanço com maior oferta de matéria-prima. O BTG mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 9, projetando potencial queda de 11% em relação ao fechamento anterior.
Imagem: Anna Scabello via moneytimes.com.br
Banco Safra aponta continuidade da queima de caixa, de US$ 140 milhões no trimestre, menor que no 3T25 devido a capex e juros menores. A instituição segue cautelosa diante de spreads deprimidos, apesar de créditos tributários de US$ 454 milhões ligados ao Reiq e à CIDE-Combustíveis. Mantém recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 18, o que representa possível alta de 77% frente ao último fechamento.
XP Investimentos avalia que os números superaram levemente as expectativas, porém permanecem fracos pelo ciclo negativo do setor. Para a corretora, a decisão definitiva da Camex de manter tarifas antidumping sobre polietileno dos EUA (US$ 199,04/t) e Canadá (US$ 238,49/t) tende a ter reação desfavorável do mercado.
Analistas veem como prioridade a reestruturação financeira da Braskem. Entre as possibilidades discutidas estão a conversão de parte da dívida em ações e uma eventual injeção de capital, medidas que poderiam diluir a participação dos atuais minoritários.
Enquanto isso, o desempenho da petroquímica continua condicionado à recuperação dos spreads globais e ao avanço das negociações sobre passivos ambientais em Alagoas.