NOVA YORK, – O presidente e CEO da BlackRock, Larry Fink, defendeu nesta semana mudanças na Previdência Social norte-americana, sugerindo que uma fração dos recursos do programa seja aplicada em carteiras diversificadas de longo prazo, à semelhança de outros planos de pensão.
Projeções oficiais indicam que o principal fundo fiduciário da Previdência Social pode ficar sem recursos a partir de 2032. Nesse cenário, a legislação exige a redução automática dos benefícios para equilibrar receitas e despesas, o que significaria corte de aproximadamente 24% nos pagamentos.
Em sua carta anual aos acionistas, divulgada recentemente, Fink reconheceu que a Previdência Social é “um dos programas mais eficazes no combate à pobreza”, mas afirmou que o modelo atual — financiado pelo regime pay-as-you-go, em que tributos sobre a folha custeiam aposentadorias em tempo real e são aplicados majoritariamente em títulos do Tesouro — não permite que os participantes se beneficiem do crescimento econômico.
Ele propôs analisar se uma parte do fundo poderia ser aplicada “de forma cautelosa, ampla e por décadas”, sem privatizar o sistema nem alocar todo o patrimônio em ações. O executivo citou o Thrift Savings Plan, que administra a aposentadoria de milhões de servidores federais, como exemplo de diversificação.
Fink mencionou proposta bipartidária dos senadores Bill Cassidy (Republicano-LA) e Tim Kaine (Democrata-VA). O texto cria um fundo de investimento paralelo, não substitutivo, que aplicaria cerca de US$ 1,5 trilhão em ações e títulos ao longo de 75 anos. Durante esse período, o Tesouro continuaria pagando os benefícios integrais. No futuro, o novo fundo complementaria a arrecadação das contribuições, reduzindo o déficit atuarial sem alterar valores para quem já recebe ou está prestes a se aposentar.
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Segundo o CEO da BlackRock, cerca de seis milhões de empregados de governos estaduais e locais não contribuem para a Previdência Social e dependem de pensões públicas que já utilizam carteiras diversificadas. Ele também citou o sistema de superannuation da Austrália como modelo de aplicação de recursos no mercado financeiro para aumentar retornos de longo prazo.
Fink afirmou que qualquer discussão sobre mudanças na Previdência Social provoca desconforto, mas alertou que não agir pode quebrar a promessa de benefícios integrais às próximas gerações. “Os problemas que evitamos discutir costumam ser os mais preocupantes”, escreveu, reforçando que o custo da inação cresce a cada ano.
Um levantamento do Committee for a Responsible Federal Budget calcula que, sem reformas, a reserva do programa se esgotará em menos de uma década, desencadeando cortes automáticos. Para Fink, combinar diferentes soluções, incluindo investimentos de longo prazo, pode fortalecer o sistema e garantir sua sustentabilidade.