São Paulo, 27 de março de 2026 – A curva de juros futuros encerrou esta sexta-feira em alta, depois de uma sessão marcada por forte volatilidade diante das incertezas provocadas pela guerra no Irã e pelo avanço dos preços do petróleo.
Pelo segundo dia seguido, todos os principais vencimentos permaneceram acima de 14% ao ano. Pela manhã, as taxas chegaram a recuar com indícios de possível cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mas o movimento se inverteu após sinais contraditórios dos dois governos reforçarem a aversão ao risco.
• DI janeiro/2027: fechou a 14,395%, ante 14,320% no ajuste anterior.
• DI janeiro/2029: avançou para 14,115%, frente a 14,085% na véspera.
• DI janeiro/2036: recuou 0,5 ponto-base, encerrando a 14,100%, contra 14,105% no dia anterior.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries terminaram sem direção única. O título de dois anos, sensível à política monetária, cedeu para 3,914% (3,984% no ajuste anterior), enquanto o papel de dez anos subiu a 4,428% (4,316% na véspera). A evolução dos juros refletiu a incerteza sobre a duração do conflito e o barril de petróleo acima de US$ 100.
Relatório da Warren Rena mostrou que a inflação acumulada em 12 meses embutida nos títulos públicos com vencimento em agosto de 2026 saltou para 5,25%, contra 3,41% há um mês, período anterior à eclosão da guerra. A meta contínua perseguida pelo Banco Central é de 3%.
No Relatório Focus, economistas projetam alta de preços de 4,17% para o fim deste ano, acima dos 3,91% estimados antes do conflito, o que mantém dúvidas sobre o rumo da Selic, hoje em 14,75% ao ano.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Na B3, as opções de Copom precificavam 44% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima reunião, para 14,50% ao ano. A chance de redução de 50 pontos-base estava em 23%, enquanto a possibilidade de manutenção em 14,75% aparecia em 19%. Antes da guerra, a aposta majoritária (77,50%) era de corte de 50 pontos-base.
No 28º dia de confrontos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou pausa de dez dias nos ataques a usinas iranianas até 6 de abril, mas autoridades de Teerã negaram ter solicitado a suspensão. Além disso, o grupo Houthis, do Iêmen, ameaçou intervir caso outros países apoiem EUA ou Israel, elevando a tensão regional.
A combinação de conflito prolongado, petróleo caro e expectativas de inflação desancoradas sustenta o prêmio de risco nos juros futuros brasileiros, segundo operadores.