Base aliada barra relatório da CPI do INSS que pedia indiciamento de Lulinha

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Brasília – A base do governo impôs derrota à oposição na madrugada deste sábado (28) ao rejeitar, por 19 votos a 12, o relatório final do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) na CPI Mista do INSS. O texto recomendava o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

A sessão começou às 9h30 de sexta-feira (27) e foi encerrada por volta de 1h do sábado, último dia de funcionamento do colegiado após o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubar a prorrogação dos trabalhos.

Indiciamentos propostos

Além de Lulinha, o parecer listava:

  • senador Weverton Rocha (PDT-MA);
  • ex-ministro da Previdência Carlos Lupi (PDT);
  • ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-sócio Augusto Lima;
  • deputada Maria Gorete Pereira (MDB-CE);
  • empresária Roberta Moreira Luchsinger.

O relator pediu ainda a prisão preventiva de Lulinha. Caso o documento fosse aprovado, os pedidos seriam encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por decidir sobre eventuais denúncias.

Disputa política

Gaspar, recém-filiado ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro, vinculou fraudes em aposentadorias ao governo Lula, mencionando o petista 37 vezes em 4.340 páginas; Bolsonaro foi citado cinco vezes. O PT apresentou relatório paralelo que exclui Lulinha e indica Bolsonaro como “chefe da organização criminosa”.

Com o filho do presidente entre os alvos, o governo articulou ofensiva para derrubar o parecer da oposição. A estratégia foi bem-sucedida apesar de a CPI ser presidida pelo senador Carlos Viana (Podemos-MG), integrante da oposição.

Troca de acusações

O debate foi marcado por bate-boca. Ao defender seu texto, Gaspar criticou o STF, gerando reação do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que classificou a sessão como “circo” e chamou o relator de “estuprador”. Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) anunciaram envio de supostas provas à Polícia Federal; Gaspar negou irregularidades.

Base aliada barra relatório da CPI do INSS que pedia indiciamento de Lulinha - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

Após a votação, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que a derrubada do documento impediu o indiciamento de Bolsonaro. Já Viana acusou a base governista de tentar bloquear investigações desde o início da comissão.

Argumentos do relatório rejeitado

Segundo Gaspar, há indícios de que Lulinha atuou como facilitador de negócios do lobista Careca do INSS junto a órgãos federais. Sobre Lupi, o relator apontou “omissão deliberada” e “blindagem política” no período em que chefiou a Previdência até maio de 2025. Vorcaro foi relacionado a “graves desconformidades” no Banco Master.

Escândalo do Banco Master amplia alcance da CPI

Durante as investigações, surgiram indícios de ligações de Vorcaro com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Também vieram à tona mensagens envolvendo ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do uso de um jatinho de Vorcaro pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).

Nos bastidores, avaliou-se que o caso atingiu nomes do centrão e da direita, com possível impacto eleitoral. Parlamentares desses grupos, do PT e de partidos aliados pressionaram o STF para encerrar a CPI antes do período eleitoral.

Próximos passos

Com a rejeição do parecer de Gaspar e o fim do prazo regimental, a CPI pode encerrar-se sem relatório final, a menos que o presidente Carlos Viana coloque em votação o texto alternativo apresentado pelo PT.

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