ATLANTA (EUA), 2026 – À medida que se aproxima a Páscoa judaica, as prateleiras dos supermercados norte-americanos voltam a receber garrafas de Coca-Cola com tampas amarelas, sinal de que o refrigerante é produzido com açúcar de cana em vez de xarope de milho de alta frutose.
A distinção remete a 1935, quando o rabino Tobias Geffen, líder da comunidade ortodoxa de Atlanta, recebeu permissão da The Coca-Cola Company para analisar a fórmula mantida em sigilo. Geffen identificou dois obstáculos à certificação kosher: a glicerina derivada de sebo bovino não kosher e o xarope de milho, proibido durante a Páscoa, quando muitos judeus evitam produtos de grãos.
Com apoio de cientistas da empresa, a glicerina foi substituída por versões obtidas de óleo de algodão e de coco. Depois, os adoçantes de origem de grãos foram trocados por açúcares de cana e beterraba, liberando o consumo do refrigerante o ano todo e, especificamente, no período pascal.
Na década de 1980, a fórmula regular comercializada nos Estados Unidos passou a usar xarope de milho. A versão com açúcar de cana, porém, permaneceu como oferta limitada às semanas que antecedem a Páscoa. A identificação ficou por conta da tampa amarela, que garante a ausência de derivados de grãos.
Usuários de redes sociais passaram a comparar a bebida sazonal à Coca-Cola vendida no México, tradicionalmente adoçada com açúcar de cana e geralmente comercializada em garrafas de vidro, a preços mais altos. O produto de Páscoa oferece o mesmo adoçante sem acréscimo de valor, o que leva influenciadores a sugerirem que consumidores façam estoque nessa época.
Imagem: Rachel Wolf FOXBusiness via foxbusiness.com
Em outubro de 2025, a companhia começou a distribuir, em mercados selecionados dos EUA, garrafas de vidro adoçadas com açúcar de cana fora do período religioso. A iniciativa recebeu elogios do então presidente Donald Trump, que considerou a versão “melhor” que a de xarope de milho. Até o momento, a empresa não indicou se pretende abandonar definitivamente o adoçante derivado de milho.
Segundo o diretor financeiro da Coca-Cola, John Murphy, a oferta restrita de açúcar de cana nos Estados Unidos pode limitar a produção da receita especial. A empresa não comentou se planeja ampliar a disponibilidade do produto com tampa amarela ao longo de todo o ano.
As garrafas com tampas amarelas continuarão disponíveis apenas nas semanas que antecedem a Páscoa judaica, mantendo viva uma tradição de mais de oito décadas.