As stablecoins movimentaram mais de US$ 33 trilhões em 2025, alta de 72% em relação ao ano anterior, aponta relatório assinado por Jeff Handler, cofundador da OpenTrade. Embora o estoque desses ativos permaneça na casa das “centenas de bilhões” de dólares, o uso repetido das mesmas unidades reforçou a ideia de que a velocidade de circulação é hoje o principal indicador de relevância desse mercado.
Para Handler, a capitalização total — métrica que marcou debates sobre “Ethereum killers” e a valorização de tokens — perdeu espaço para a taxa de reutilização do dinheiro digital. A aplicação prática da Teoria Quantitativa da Moeda sugere que, quanto mais rápido o giro, menor precisa ser a oferta para sustentar determinado nível de atividade econômica.
O estudo ressalta a adoção no ambiente de alta inflação de países latino-americanos. Na Argentina, 61,8% de toda a atividade on-chain envolve stablecoins; no Brasil, a participação chega a 59,8%. Segundo o autor, enquanto Estados Unidos e Europa encaram esses ativos principalmente como fonte de rendimento ou ferramenta de liquidação de operações, na América Latina eles funcionam como proteção contra a volatilidade cambial.
Handler descreve uma estrutura em pirâmide na qual diferentes agentes capturam taxas e juros gerados pelo fluxo das stablecoins:
Imagem: cointelegraph.com
O autor sustenta que, após se tornarem parte dos “canos” da finança global, as stablecoins deixaram de ser vistas como novidade. A partir de 2026, avalia, o desafio passa a ser determinar quem ficará com a maior fatia das receitas — e de que forma esses ganhos poderão, eventualmente, ser repassados aos usuários que impulsionam a circulação dos tokens.
Com a comprovação de que conseguem suportar fluxos trilionários, conclui Handler, o experimento acabou: resta acompanhar a consolidação do modelo de negócios que se formou em torno das stablecoins.