Brasília – A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concluiu nesta semana seus trabalhos sem aprovar qualquer relatório final. Instalada há sete meses, a comissão reuniu parlamentares de diferentes siglas, mas terminou sem consenso depois de sucessivos embates políticos.
No encerramento, dois documentos disputavam a condição de relatório oficial. O texto do relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), sugeria o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; Roberta Luchisinger; o ex-ministro Carlos Lupi; e Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS. Gaspar sustentou que Lulinha teria atuado como facilitador de acesso a órgãos do governo em parceria com o lobista Antônio Camilo, apontado como “Careca do INSS”.
A bancada governista apresentou um relatório alternativo que não chegou a ser apreciado. O documento, com lista de indiciados reduzida à metade, responsabilizava nomes ligados à direita, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-ministro da Previdência Social Onyx Lorenzoni. Segundo o texto, Bolsonaro “exerceu papel central” para criar ambiente favorável às fraudes.
Durante as sessões, a CPMI foi palco de bate-bocas, trocas de acusações, vazamentos de dados sigilosos e até agressões físicas entre deputados. Na última reunião, Alfredo Gaspar foi acusado por colegas de ter estuprado uma adolescente de 13 anos, o que ele negou afirmando inexistirem provas. No plenário, o parlamentar declarou ter “estuprado corruptos” ao longo da investigação, expressão que acirrou ainda mais o debate.
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No período de funcionamento, a comissão convocou 72 pessoas, realizou 37 oitivas e analisou milhares de documentos bancários, fiscais, telemáticos e telefônicos. Apesar do volume de material reunido, a disputa entre blocos governista e oposicionista impediu a elaboração de consenso sobre responsabilidades e recomendações.
Sem relatório aprovado, a CPMI do INSS foi oficialmente encerrada. Não há, portanto, encaminhamento de propostas legislativas ou pedido formal de indiciamento a órgãos de investigação.