São Paulo – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a possível federalização do Banco de Brasília (BRB) não tem aval da pasta e, portanto, não avançará.
Em entrevista à GloboNews, Durigan disse que o governo federal não pretende transformar o BRB em instituição controlada por um banco público nacional, como Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal. A ideia vinha sendo citada no mercado como alternativa após o impacto de operações com o banco Master.
O real tamanho das perdas segue incerto porque o BRB não divulgou o balanço de 2025 até 31 de março, data-limite para companhias de capital aberto. Investigações apontam que o banco comprou R$ 12,2 bilhões em créditos considerados fraudulentos da instituição de Daniel Vorcaro.
Sem o demonstrativo financeiro, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, declarou à Folha que solicitará empréstimo entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões a outras instituições. O pedido se soma à requisição feita em 24 de março ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para captação de R$ 4 bilhões.
Durigan informou que o Tesouro Nacional autorizou a venda de carteiras de crédito respaldadas por títulos públicos. A garantia será transferida ao comprador. “Sai do BRB, vai para outro banco, e o Tesouro mantém o aval”, explicou. Caixa, Banco do Brasil e bancos privados podem adquirir esses ativos.
Imagem: redir.folha.com.br
O ministro reiterou que não haverá intervenção ou socorro específico da União: “O governo do Distrito Federal precisa lidar com a situação do BRB; se virar risco sistêmico, o Banco Central conduz o debate”.
Durigan também comentou a situação dos Correios, que passa por ajustes após prejuízos. Ele citou possibilidades de joint ventures, separação de segmentos logísticos e novas rodadas de programa de demissão voluntária (PDV). Até o fim de março, 2.117 empregados aderiram ao PDV, 21% da meta de 10 mil desligamentos prevista para 2026; mais 5 mil saídas são projetadas para 2027.