As principais praças financeiras do mundo recuaram nesta quinta-feira (2) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que pretende intensificar as operações militares contra o Irã nas próximas duas ou três semanas, sem indicar prazo para um possível cessar-fogo.
Durante pronunciamento em rede nacional na noite de quarta (1º), Trump afirmou que os EUA estão “muito próximos” de atingir seus objetivos, mas prometeu “golpes fortes” no curto prazo, citando a possibilidade de ampliar ataques à infraestrutura de energia iraniana caso Teerã não aceite os termos de Washington.
A ausência de sinais concretos de distensão levou investidores a reduzirem exposição a ações e buscar proteção em commodities energéticas. O barril do Brent avançou US$ 6,84 (+6,8%), para US$ 108, enquanto o WTI subiu US$ 6,40 (+6,4%), cotado a US$ 106,52.
Na Ásia, Xangai cedeu entre 0,74% e 1,04%, Hong Kong recuou 0,7%, Tóquio perdeu 2,28%, Seul 4,47%, Taiwan 1,82%, Singapura 0,7% e Sydney 1,06%. Na Europa, por volta das 8h30 (horário de Brasília), Frankfurt caía 2,26%, Paris 1,23% e Londres 0,34%.
Para Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, a falta de menção a negociações de paz ou iniciativas diplomáticas sustenta a percepção de risco: “Se as tensões aumentarem ou houver problemas nas rotas marítimas, o petróleo pode testar novas máximas”.
Claudio Galimberti, economista-chefe da Rystad Energy, destacou que sem um cronograma de retirada “os mercados ainda assimilam as declarações do governo”. Russel Chesler, da VanEck Australia, avaliou que o discurso não trouxe a confiança esperada pelos investidores, que seguem perguntando “quando isso vai terminar?”.
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O conflito já afeta o tráfego de navios na região. Na quarta, um petroleiro fretado pela QatarEnergy foi atingido por míssil iraniano em águas do Catar, segundo o Ministério da Defesa local. A Agência Internacional de Energia advertiu que a Europa começará a sentir falta de oferta a partir de abril.
Arábia Saudita informou ter interceptado quatro drones nesta quinta, enquanto Abu Dhabi relatou a neutralização de um míssil próximo a uma zona econômica, com danos leves. A embaixada dos EUA em Bagdá pediu que cidadãos americanos deixem o Iraque, citando possível ataque de milícias alinhadas ao Irã nas próximas 24 a 48 horas.
Em resposta ao discurso, porta-voz do comando Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaqari, declarou que Teerã está pronto para “ataques mais esmagadores, amplos e destrutivos” até que os “inimigos se arrependam e se rendam”.
Os desdobramentos mantêm elevada a incerteza sobre a duração da guerra, fator que segue pressionando ativos de risco e sustentando o preço do petróleo.