O Palácio do Planalto decidiu indicar o economista Guilherme Mello para a presidência do conselho de administração da Petrobras. Ele substituirá Bruno Moretti, que renunciou ao posto após assumir o Ministério do Planejamento e Orçamento.
A troca tornou-se necessária porque a Lei das Estatais proíbe a presença de ministros de Estado em diretorias ou conselhos de empresas públicas. Antes de ingressar no primeiro escalão do governo, Moretti era secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil.
Mello ocupa, desde o início da gestão do ministro Fernando Haddad, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Durante a campanha eleitoral de 2022, atuou como assessor econômico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O economista chegou a ser defendido por Haddad para uma das duas vagas abertas no Banco Central (Diretoria de Política Econômica e Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução) desde 1º de janeiro, mas a indicação não foi formalizada por Lula. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, resistiu à escolha.
Com a confirmação de Mello na Petrobras, o governo descarta seu nome para a autoridade monetária. A possibilidade de sua indicação ao BC vinha gerando desconforto entre agentes do mercado financeiro, que temiam uma interferência do Executivo na condução da política monetária. Segundo relatos, Galípolo argumentou junto a Lula que tal movimento poderia dificultar futuras reduções da taxa de juros.
Professor licenciado da Unicamp e considerado um dos principais formuladores do pensamento econômico do PT, Mello é visto com reservas por parte do mercado. Quando seu nome foi cogitado para o Banco Central, a reação negativa impactou o preço de ativos.
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As divergências sobre a escolha dos novos diretores do BC levaram a equipe econômica a aconselhar o presidente a não acelerar as indicações. Alguns aliados de Lula defendem que as nomeações só ocorram após as eleições municipais, tese que não é consenso no entorno do chefe do Executivo.
Enquanto isso, a nomeação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal também permanece entre as prioridades do governo.
A indicação de Guilherme Mello será analisada pela assembleia de acionistas da Petrobras, etapa necessária para oficializar sua posse no conselho de administração da estatal.