Estrangeiros injetam R$ 12 bilhões na Bolsa brasileira em março e já somam R$ 53,8 bilhões no ano

Estratégias de investimento23 horas atrás10 Visualizações

Mesmo com a tensão provocada pela guerra no Irã, o capital externo segue entrando na B3. Em março, investidores estrangeiros colocaram R$ 12 bilhões na Bolsa brasileira, elevando o aporte acumulado no ano para R$ 53,8 bilhões, de acordo com números divulgados pela própria B3.

Fluxo triplica em relação a 2025

No mesmo período do ano passado, as entradas haviam sido bem menores: R$ 3,5 bilhões em março e R$ 11 bilhões no primeiro trimestre. Dessa forma, o volume atual supera em mais de três vezes o observado há um ano, mesmo em um ambiente de maior aversão a risco nos mercados globais.

A forte demanda estrangeira permitiu ao Ibovespa recuar apenas 0,7 % em março e ainda sustentar valorização de 16,25 % no acumulado de 2026.

Saldo mensal de capital estrangeiro na B3 (R$/milhões)

Fonte: B3 – inclui compras em ofertas públicas

Janeiro / 2025: 6.824,3
Fevereiro / 2025: 699,3
Março / 2025: 3.462,8
Acumulado 2025: 10.986,4

Janeiro / 2026: 26.471,3
Fevereiro / 2026: 15.395,7
Março / 2026: 11.964,3
Acumulado 2026: 53.831,3

Por que o dinheiro continua chegando

Para Luciano Telo, chefe de investimentos do UBS Global Wealth Management no Brasil, o movimento começou antes do conflito. Até 28 de fevereiro, havia uma migração de recursos para fora dos Estados Unidos em razão do debate sobre reindustrialização no país e de expectativas de enfraquecimento do dólar. A guerra gerou um teste para a moeda norte-americana, que se fortaleceu como previsto, mas, ao contrário de choques anteriores, os rendimentos dos Treasuries subiram diante do receio de que o encarecimento do petróleo pressione a inflação.

No mercado futuro, o barril já é negociado para entrega em três meses a US$ 85, abaixo dos cerca de US$ 100 do mercado à vista, indicando aposta em normalização parcial dos preços. “O cenário ainda favorece emergentes, em especial o Brasil”, diz Telo. Entre os atrativos locais estão:

  • ações brasileiras em patamar considerado descontado;
  • taxa Selic elevada, hoje em 14,75 %, mas com perspectiva de corte;
  • peso relevante de companhias de commodities, como Petrobras e Vale, preferidas por investidores globais;
  • liquidez suficiente para permitir entrada e saída de grandes volumes.

O executivo observa que os estrangeiros concentram as compras em papéis de primeira linha, sobretudo nos setores de commodities e bancos.

Tese reforçada por Bradesco Asset

Rodrigo Santoro, head de renda variável da Bradesco Asset, aponta três fatores que sustentaram o ingresso de recursos em março:

  1. busca global por diversificação fora dos Estados Unidos;
  2. percepção de que setores como financeiro e commodities sofrerão menos impacto da expansão da inteligência artificial;
  3. status do Brasil como exportador de petróleo, capaz de se beneficiar da alta da commodity.

Segundo Santoro, o fluxo está concentrado em fundos passivos que seguem índices como o MSCI Brasil e o ETF EWZ, o que explica a valorização maior das chamadas large caps – Petrobras, PetroRio, Vale, bancos e Áxia.

Visão do Itaú BBA

Na avaliação de Daniel Gewehr, chefe de estratégia de ações para Brasil e América Latina do Itaú BBA, o país se destaca entre mercados emergentes por reunir três pontos:

  • exposição menor a risco geopolítico;
  • posição de exportador líquido de petróleo;
  • possibilidade de iniciar ciclo de corte de juros, de 14,75 % para cerca de 13 %.

Gewehr projeta crescimento de lucro das empresas brasileiras em torno de 17 % em 2026, preço/lucro de 9,5 vezes (desconto de 5 % ante a média histórica) e retorno total potencial de 21 % ao ano quando se somam dividendos, juros sobre capital e recompra de ações. Os temas preferidos do banco incluem pagadoras de dividendos, infraestrutura, setor elétrico, saneamento, shoppings e o segmento financeiro.

Apesar do bom momento, os analistas alertam que um prolongamento da guerra e eventual recessão nos países desenvolvidos poderiam provocar um flight to quality e reduzir os aportes no Brasil. Por ora, esse cenário é visto apenas como risco, não como base.

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