Em meio à quinta semana de conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, cerca de 93 milhões de pessoas que vivem no território iraniano enfrentam a guerra sem qualquer sistema oficial de alerta contra mísseis e com a conexão à internet reduzida a menos de 1%. Outros 4 milhões de iranianos que moram no exterior também estão isolados dos parentes no país.
Nesse cenário, um grupo de engenheiros da organização Holistic Resilience desenvolveu o Mahsa Alert, aplicativo que emite avisos de ataques, indica rotas de fuga e aponta serviços essenciais mesmo quando o usuário está offline.
O app leva o nome de Mahsa Amini, jovem de 22 anos que morreu em 2022 após ser detida pela “polícia da moralidade” por supostamente descumprir regras de vestimenta. A morte desencadeou protestos massivos e virou símbolo do movimento “Mulher, Vida, Liberdade”.
Segundo o diretor-executivo da Holistic Resilience, Ahmad Ahmadian, cerca de 100 dicas diárias são analisadas por voluntários que cruzam vídeos, fotos e mensagens recebidas em redes sociais e no Telegram com imagens de aproximadamente 18 mil câmeras de segurança espalhadas pelo país. O objetivo é verificar a autenticidade das informações antes de enviá-las aos usuários.
A equipe, que trabalha até 16 horas por dia e financia o projeto com recursos próprios, reconhece o desafio logístico de mapear o Irã, 17º maior país do mundo em extensão territorial. Mesmo assim, mantém o serviço ativo 24 horas para repassar alertas imediatamente.
O Mahsa Alert também mapeia hospitais, bancos de sangue, abrigos e postos de controle do governo para auxiliar civis que precisem se deslocar para áreas desconhecidas. Com a internet praticamente inacessível, esses dados ficam armazenados no aparelho e podem ser consultados sem conexão.
Imagem: Kelly Saberi FOXBusiness via foxbusiness.com
O governo iraniano tem acusado os voluntários de espionagem para Israel ou para as Forças Armadas dos EUA. Além disso, a plataforma sofre ataques cibernéticos e recebe informações falsas destinadas a comprometer sua credibilidade. Em um caso relatado por Ahmadian, um alerta indicava o lançamento de mísseis a partir de um prédio que depois se revelou ser um dormitório feminino universitário.
Empresas de segurança digital, como a Unit 42 da Palo Alto Networks, registraram aumento significativo de atividades cibernéticas iranianas desde o início dos combates, no fim de fevereiro.
Apesar das pressões, os responsáveis pelo aplicativo afirmam que continuarão operando para salvar vidas de civis em um conflito que, segundo eles, não é deles.