Projeções indicam forte alta da inflação nos EUA após disparada dos combustíveis provocada pela guerra com o Irã

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Os Estados Unidos devem registrar em março o maior avanço mensal do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) desde 2022. Economistas consultados pela Bloomberg preveem aumento de 1%, reflexo direto da alta de aproximadamente US$ 1 por galão no preço da gasolina após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Excluindo energia e alimentos, o chamado núcleo do CPI deve subir 0,3% na comparação com fevereiro. O Departamento de Estatísticas do Trabalho divulga o resultado na sexta-feira, 10 de abril.

Indicadores que antecedem a divulgação

Na quinta-feira, 9 de abril, sai o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) de fevereiro, métrica preferida do Federal Reserve. A estimativa é de acréscimo de 0,4% pelo terceiro mês consecutivo, sinal de que o processo de desaceleração inflacionária já mostrava perda de fôlego antes do impacto da guerra.

Analistas também aguardam, no mesmo relatório do Bureau of Economic Analysis, dados sobre renda e gastos dos consumidores, para medir a resistência da demanda interna.

Implicações para o Federal Reserve

Emprego em alta e desemprego em queda, somados às novas pressões sobre os preços, dificultam cortes na taxa básica de juros norte-americana em 2026, apontam economistas da Bloomberg Economics. A ata da reunião de política monetária do Fed de março, que será publicada na quarta-feira, deve esclarecer as preocupações do banco central sobre a inflação e os efeitos das interrupções no fornecimento de energia.

Agenda econômica da próxima semana

Estados Unidos

  • Segunda-feira (6): índice de atividade do setor de serviços do ISM referente a março.
  • Sexta-feira (10): leitura preliminar de abril do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan.

Canadá

Projeções indicam forte alta da inflação nos EUA após disparada dos combustíveis provocada pela guerra com o Irã - Imagem do artigo original

Imagem: redir.folha.com.br

  • Sexta-feira (10): pesquisa de força de trabalho de março; projeção de desemprego em 6,8%.

Decisões de juros e indicadores ao redor do mundo

Ásia-Pacífico

  • Quarta-feira (8): Banco Central da Nova Zelândia deve manter a taxa em 2,25%. Contratos de swap precificam 58% de chance de alta até julho.
  • Quarta-feira (8): Banco Central da Índia tende a preservar a taxa de recompra em 5,25%.
  • Sexta-feira (10): Banco da Coreia, na última reunião sob comando de Rhee Chang Yong, deve manter juros inalterados.
  • Atualizações de inflação nas Filipinas, Tailândia, Taiwan e China; analistas esperam aceleração dos preços ao consumidor chinês e menor deflação ao produtor.
  • Japão divulga salários de fevereiro na quarta-feira; Singapura apresenta vendas do varejo de fevereiro na segunda-feira; Nova Zelândia publica o PMI industrial de março na sexta-feira.

Europa, Oriente Médio e África

  • A partir de quarta-feira (8): Alemanha divulga pedidos à indústria; na quinta-feira (9) saem produção e exportações do país, além de dados de exportação da França e de produção da Espanha. Na sexta-feira (10), é a vez da indústria italiana.
  • Relatórios de inflação dos países nórdicos (terça e sexta) e da Hungria (quarta) devem mostrar aceleração de preços. O Egito divulga na quinta-feira (9) novo salto inflacionário em relação aos 13,4% de fevereiro.
  • Decisões de juros: Romênia (terça) deve manter a taxa em 6,5%; Quênia (quarta) tende a preservar 8,75%; Polônia e Sérvia deliberam na quinta, com expectativa de manutenção.

América Latina

  • Brasil, Chile, Colômbia e México divulgam índices de preços ao consumidor de março ao longo da semana; consenso indica intensificação das pressões inflacionárias.
  • Colômbia: ata da reunião do BanRep mostrará detalhes do aumento de 100 pontos-base que elevou a taxa básica a 11,25% em março; analistas projetam nível terminal de 12% e estabilidade até o terceiro trimestre de 2027.
  • México: ata do Banco Central revelará os motivos para o corte de 0,25 ponto percentual na taxa, agora em 6,75%, acompanhado de revisão altista nas projeções de inflação.
  • Peru: após inflação de 2,38% em março, maior leitura mensal desde 1994, o banco central decide sobre juros, mas o mercado espera cautela e manutenção da taxa.

A combinação de aumento no preço do petróleo, dados robustos do mercado de trabalho e incertezas geopolíticas define o tom dos mercados globais e dos debates de política monetária nesta primeira rodada de indicadores desde o início da guerra com o Irã.

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