No século XIX, o Reino Unido figurava entre as nações mais prósperas do planeta. Atualmente, contudo, o país tem desempenho econômico inferior ao de grande parte das economias desenvolvidas, segundo analistas consultados.
Projeções do governo dos Estados Unidos e do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que, em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita britânico deverá alcançar US$ 60.010. O valor deixa o Reino Unido atrás de 50 das 51 jurisdições norte-americanas — apenas o Alabama registra previsão um pouco superior, de US$ 60.265. No topo da lista está Washington D.C., com estimados US$ 113.369, enquanto a média dos EUA deve atingir US$ 89.599.
Marc Chandler, estrategista-chefe de mercado da Bannockburn Global Forex, afirma que Londres distorce parte dos números por concentrar o setor financeiro, mas mesmo sem considerar o custo de vida o Reino Unido segue distante da média norte-americana. “A produtividade dos EUA cresce mais rápido”, disse ele.
Robert E. Wright, historiador de políticas econômicas da Universidade de Austin, Texas, atribui o fraco desempenho britânico a impostos considerados altos, regulamentação extensa e uma cultura empresarial menos propensa ao risco. “Mesmo quando um novo negócio prospera, ele é fortemente tributado e em seguida enfrentará novas regras”, destacou.
Estudo recente da Oxford Economics descreve o panorama de curto prazo como “desanimador”. De acordo com o relatório, a expansão verificada recentemente decorre principalmente de despesas governamentais, e não de inovação do setor privado. O documento alerta que, quando esse impulso diminuir, a taxa de desemprego tende a subir.
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Desde o segundo semestre de 2023, os salários médios no funcionalismo público superam os do setor privado, fator que pode inibir o empreendedorismo, apontam os analistas. A consultoria projeta crescimento de apenas 1% para 2026 — estimativa elaborada antes da escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, cenário que pode reduzir ainda mais a previsão.
Para Robert Jenrick, chanceler-sombra do Partido Reform UK, o alto custo da energia — “cinco ou seis vezes maior que o dos EUA”, calcula — ameaça setores como aço, automotivo, vidro, cerâmico e químico. “Milhões de empregos dependem dessas indústrias e não sobreviverão se os preços continuarem nesse patamar”, declarou ao jornal Daily Express.
Pesquisa citada por analistas mostra que a maioria dos empreendedores britânicos avalia o governo como “antinegócios”. Somados, fatores como baixa produtividade, tributação elevada, regulação abundante e aversão ao risco compõem o diagnóstico de um país ainda sem motor de crescimento sustentável, concluem os especialistas.