Acionistas cobram Amazon, Microsoft e Google por transparência em consumo de água e energia

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Grandes investidores reforçaram a pressão sobre Amazon, Microsoft e Google para que divulguem com mais detalhes o uso de água e energia de seus data centers, tema que ganhou força após o cancelamento de projetos bilionários das empresas em meio à resistência de comunidades vizinhas.

Demandas às vésperas das assembleias

Mais de uma dezena de gestores de recursos prepara resoluções a serem votadas nas assembleias anuais de 2026. Os grupos querem informações locais sobre consumo hídrico e planos de conservação, segundo entrevistas concedidas à Reuters.

A Trillium Asset Management, que administra mais de US$ 4 bilhões em Boston, protocolou em dezembro uma proposta à Alphabet pedindo clareza sobre como a companhia pretende cumprir metas climáticas diante do crescimento da demanda energética dos centros de dados. Em 2020, a Alphabet prometeu reduzir pela metade suas emissões de gases de efeito estufa e operar apenas com energia sem carbono até 2030, mas as emissões aumentaram 51% desde então. No ano passado, texto semelhante recebeu apoio de quase 25% dos acionistas independentes.

Na Green Century Capital Management, Giovanna Eichner afirmou estar negociando com a Nvidia a apresentação de moção que garanta que os lucros rápidos com inteligência artificial não gerem riscos climáticos e financeiros no longo prazo.

Consumo hídrico em foco

Dados da consultoria Mordor Intelligence indicam que, em 2025, data centers nos Estados Unidos utilizaram quase 1 trilhão de litros de água — volume próximo à demanda anual da cidade de Nova York.

Embora Amazon, Microsoft, Google e Meta tenham adotado sistemas de resfriamento em circuito fechado, que precisam de menos água, o nível de detalhamento das informações varia:

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Imagem: redir.folha.com.br

  • O relatório ambiental de 2025 da Meta inclui apenas instalações próprias. O uso subiu 51%, de 3.726 megalitros em 2020 para 5.637 megalitros em 2024, quantidade que abasteceria mais de 13.000 residências por um ano.
  • O Google divulga dados de sites próprios e alugados, mas não de operações terceirizadas.
  • Amazon e Microsoft informam o total consumido, sem detalhamento por local.

Josh Weissman, diretor de fornecimento de capacidade de infraestrutura da Amazon, afirmou que a empresa “vem ampliando a divulgação de dados de consumo de água específicos das localidades”. Um porta-voz complementou que a companhia pretende ser “boa vizinha”, investindo em eficiência, novas fontes de energia e redução do uso hídrico.

Para investidores, informações granularizadas são essenciais para avaliar riscos operacionais e estratégias de reposição de mananciais. “Ainda não vimos divulgação suficiente sobre o consumo de água e o impacto nas comunidades locais”, disse Jason Qi, analista-chefe de tecnologia da Calvert Research and Management.

Posicionamentos das empresas

Um representante da Microsoft declarou que a sustentabilidade ambiental é “valor fundamental” e que a companhia enfrenta proativamente os desafios para gerar impacto duradouro. O Google preferiu não se manifestar, e a Meta não respondeu aos pedidos de comentário.

Dan Diorio, vice-presidente da Data Center Coalition, que reúne as quatro gigantes de tecnologia, disse que o engajamento com a comunidade tornou-se prioridade em 2025. “É fundamental sermos francos sobre o uso de energia e água, para que os moradores entendam que o projeto não vai sobrecarregar seus recursos e ajudará a protegê-los”, afirmou.

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