Kinea eleva probabilidade de petróleo superar US$ 100 por período mais longo

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A Kinea Investimentos revisou o cenário para o mercado de petróleo e agora atribui chance majoritária de a cotação do Brent permanecer acima de US$ 100 por mais tempo. A mudança consta na carta mensal divulgada após a escalada do conflito que fechou o Estreito de Ormuz e reduziu significativamente o fluxo de barris da região.

No início de março, Ruy Alves, sócio e co-gestor de multimercados da casa, avaliava que o mercado físico estava frouxo, com estoque elevado no mar, e que Ormuz jamais fora fechado, nem mesmo na guerra Irã-Iraque. A projeção só mudaria, dizia ele, com deterioração severa do quadro – exatamente o que ocorreu.

Cenários traçados pela gestora

A gestora agora trabalha com três possibilidades:

  • Acordo (40% de probabilidade) – retirada de sanções, reabertura total de Ormuz e Brent entre US$ 70 e US$ 80;
  • Intermediário (40%) – ataques norte-americanos perdem intensidade, mas o Irã mantém controle do estreito e a reabertura se dá de forma gradual; preço acima de US$ 100 por período prolongado;
  • Escalada militar (20%) – bloqueio prolongado e eventual invasão terrestre, com cotação entre US$ 150 e US$ 200.

Segundo cálculos da Kinea, o fechamento de Ormuz inicialmente retirou cerca de 20 milhões de barris por dia do mercado potencial. Oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos podem redirecionar até 5 milhões de barris, enquanto a liberação de reservas estratégicas acrescentaria outros 2 milhões, resultando em déficit aproximado de 7 milhões de barris diários.

Reação dos preços

O Brent encerrou 1º de abril em torno de US$ 101 e, nesta segunda-feira (6), era negociado perto de US$ 110, pressionado por novo ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Irã. No começo do conflito, a própria Kinea considerava esse nível dependente de agravamento expressivo da crise.

Ajustes na carteira

Com o novo quadro, a gestora encerrou a posição vendida em petróleo e passou a ficar levemente comprada na commodity. Além disso, trocou a exposição em milho de vendida para comprada diante do risco de interrupção no suprimento global de fertilizantes nitrogenados – 35% desse comércio passa por Ormuz –, em plena janela de compras para o plantio do hemisfério norte, entre março e maio.

Impacto nos juros e no câmbio

A Kinea avalia que o ponto de partida global é mais favorável do que em 2022, quando o choque provocado pela guerra na Ucrânia coincidiu com inflação elevada e juros próximos de zero. Ainda assim, a tensão atual já motivou reprecificação das curvas de juros em várias economias.

No Brasil, a curva chegou a embutir quase 300 pontos-base de cortes na Selic, mas agora projeta ciclo significativamente menor. A gestora vê oportunidade tática nesse ajuste e mantém posição aplicada em juros e comprada em real, apostando que o país tende a enfrentar relativamente bem o choque.

Nesta segunda-feira, as taxas futuras locais recuavam levemente após notícias sobre um possível acordo de cessar-fogo, mas as perdas diminuíram quando o Irã rejeitou a proposta mediada pelo Paquistão. Trump deve comentar as tratativas em pronunciamento na Casa Branca, a menos de 24 horas de um novo prazo final para liberação de Ormuz.

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