São Paulo – O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, declarou nesta segunda-feira, 6 de abril de 2026, que o Bitcoin continua distante de se tornar um instrumento de pagamento cotidiano. “Ainda não dá para pagar um café com Bitcoin”, afirmou, durante seminário organizado pelo FGV Ibre.
Picchetti lembrou que a criptomoeda nasceu em 2009, em meio à crise financeira global desencadeada pelo colapso das hipotecas subprime nos Estados Unidos, e ganhou visibilidade a partir de 2010, quando ocorreu a primeira compra registrada — o episódio conhecido como “Bitcoin Pizza Day”. Mesmo assim, segundo ele, o ativo não alcançou a adoção necessária para transações rotineiras.
O diretor destacou que o Bitcoin abriu espaço para o surgimento de moedas digitais privadas, como as stablecoins lastreadas em ativos reais, sobretudo o dólar. Entretanto, alertou para os riscos de integração dessas tecnologias ao sistema financeiro tradicional, citando possibilidades de lavagem de dinheiro e de financiamento a atividades ilícitas.
Imagem: Pedro França via valorinveste.globo.com
De acordo com Picchetti, autoridades de vários países, inclusive o Brasil, buscam um equilíbrio entre estimular a inovação e implementar regras que mitiguem riscos. Ele mencionou que normas mais recentes já estão em vigor no mercado brasileiro, sinalizando a preocupação regulatória com o avanço dos criptoativos.