O mercado bancário brasileiro vive uma disputa silenciosa por clientes de alta renda. Segundo André Caldas, sócio, CIO e administrador da gestora Springs Capital, o BTG Pactual (BPAC11) tem direcionado esforços para conquistar investidores de grande patrimônio que historicamente pertenciam ao Itaú Unibanco (ITUB4).
Em participação no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, Caldas destacou que o principal motor de crescimento do BTG atualmente é justamente esse público. “O banco vem combinando agressividade comercial, portfólio de produtos inovadores e geração de ROE de 27%”, afirmou.
O Itaú respondeu criando uma área interna dedicada a special situations, sinal de que a movimentação do concorrente gerou desconforto entre os executivos do maior banco privado do país, na leitura do gestor. “Há sinais claros de incômodo na alta gestão”, observou.
Para Caldas, o Itaú opera com “grande inércia” e foca na eficiência operacional como principal alavanca de resultados. A nomeação de Milton Maluhy para a presidência, feita por Roberto Setúbal, foi interpretada pelo gestor como um indicativo de que a instituição busca apertar custos e maximizar margens diante de um cenário mais competitivo.
Já o BTG, afirma, atua em ritmo acelerado e antecipa tendências. Exemplo citado é a entrada no crédito consignado privado: por meio da compra da fintech Meu Tudo, o banco tornou-se rapidamente o maior originador da modalidade.
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A evolução do BTG também se nota na composição de ganhos. Quando abriu capital, cerca de 70% do resultado vinha da área de Sales & Trading; hoje, as fontes de receita estão mais pulverizadas, a exemplo do que ocorreu com a XP (XPBR31). A rede de agentes autônomos espalhada pelo país ajuda a alimentar operações de special situations, acrescentou Caldas.
O executivo ressaltou ainda a qualidade da equipe do BTG como diferencial competitivo. “Eles encontram profissionais muito capacitados para todas as funções”, comentou, em tom bem-humorado.
A Springs Capital mantém participações relevantes tanto em Itaú quanto em BTG, e Caldas reforçou que a rivalidade entre as duas casas não diminui o valor de nenhum dos papéis no portfólio da gestora.