A rede de materiais de construção Lowe’s vai destinar US$ 250 milhões, ao longo dos próximos dez anos, para recrutar e capacitar 250 mil trabalhadores em áreas como encanamento, carpintaria e eletricidade. O plano foi confirmado pelo presidente-executivo da companhia, Marvin Ellison, em entrevista publicada nesta segunda-feira (13).
De acordo com Ellison, a iniciativa responde à carência crescente de mão de obra qualificada nos Estados Unidos e à ascensão da inteligência artificial (IA) em funções administrativas. “Por mais poderosa que a IA se torne, ela não sobe em escada para trocar a bateria de um detector de fumaça nem conserta um telhado”, afirmou o executivo.
Dados da Associated Builders and Contractors, com base em projeções do Bureau of Labor Statistics (BLS), apontam que serão necessários 349 mil novos trabalhadores de ofícios até 2026 para suprir a demanda do setor. Desde o fim de 2024, os empreiteiros especializados criaram apenas 95 mil vagas, e 92% das construtoras relatam dificuldade para encontrar pessoal qualificado.
Levantamento recente do BLS indica que 47% dos profissionais de ofícios já recebem mais do que o salário mediano de um graduado universitário, sem o peso de dívidas estudantis. Para Ellison, o dado reforça a necessidade de mudar a visão cultural que coloca o ensino superior como único caminho de sucesso.
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O executivo, que possui MBA, disse que até mesmo dirigentes da Lowe’s têm incentivado seus filhos a considerar carreiras técnicas. “Essas ocupações possibilitam a construção de riqueza significativa, oferecem um meio de vida digno e exigem muito menos endividamento”, explicou.
Ellison destacou que a oferta de mão de obra especializada é “crítica” tanto para o futuro da companhia quanto para a economia norte-americana. Segundo ele, a mensagem às famílias é direta: em 2026, o emprego de maior prestígio pode ser aquele em que se veste o cinto de ferramentas.