Bradesco vê risco de desaceleração no corte de juros e calcula Selic em 12,5% no fim de 2026

Mercado Financeiro11 horas atrás8 Visualizações

O vice-presidente de atacado do Bradesco, Bruno Boetger, afirmou nesta quinta-feira (data do evento não citada no texto original) que a escalada do conflito no Irã pode obrigar o Banco Central a reduzir o ritmo de afrouxamento monetário no Brasil. A projeção da instituição é de que a Selic encerre 2026 em 12,5% ao ano.

Boetger falou durante a 12ª edição do Brazil Investment Forum, promovido pelo Bradesco BBI. Em março, o Banco Central já havia cortado a taxa básica para 14,75% ao ano, a primeira redução desde 2024. “Se a guerra escalar, os juros permanecem mais altos por mais tempo”, declarou o executivo.

Impacto no petróleo

Num cenário considerado “benigno”, em que o conflito seja solucionado rapidamente, Boetger calcula que o preço do barril do Brent possa recuar dos atuais US$ 110 para cerca de US$ 80 nos próximos meses. A queda atenuaria pressões inflacionárias e abriria espaço para cortes adicionais na Selic.

Fluxo estrangeiro positivo

Apesar da guerra, o fluxo de capital externo para a B3 segue forte. Entre janeiro e o início de abril, investidores estrangeiros registraram um saldo positivo de R$ 54,7 bilhões, volume que, segundo o executivo, tem sustentado o desempenho da Bolsa em 2026.

Emissões de ações

O Bradesco prevê até dez operações de mercado de capitais neste ano, somando cerca de R$ 15 bilhões entre ofertas iniciais (IPOs) e secundárias. A instituição vê espaço para “pelo menos um” IPO, com negociações avançadas de companhias do setor de saneamento, como Aegea e BRK. Boetger reconhece que a guerra reduziu as projeções, mas ainda identifica “janela” para operações em segmentos como infraestrutura, energia, portos e rodovias.

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Imagem: redir.folha.com.br

Eleições e perfil do investidor

O executivo minimizou o efeito da eleição presidencial sobre os mercados neste momento, atribuindo a maior parte da volatilidade a “guerra, juros e incertezas”. Ele também observa migração de investidores pessoas físicas para produtos de menor risco, como CDBs de grandes bancos e caderneta de poupança.

Renda fixa local

A expectativa do banco é de que as emissões domésticas de renda fixa somem R$ 550 bilhões em 2026, abaixo dos aproximadamente R$ 740 bilhões do ano anterior. Até agora, os fundos de crédito registram captação líquida negativa de cerca de R$ 6 bilhões, revertendo o saldo positivo de R$ 40 bilhões observado em 2025.

Boetger concluiu que está “menos otimista” do que no início do ano, citando a guerra e eventos corporativos recentes como fatores que levaram o mercado local a adotar postura de cautela, reavaliando preços e volumes.

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