Brasília – 07.abr.2026 – O Banco de Brasília (BRB) concluiu a auditoria que investigava a compra e a substituição de carteiras de crédito ligadas ao Banco Master e remeteu o relatório final à Polícia Federal para a adoção de eventuais providências.
O trabalho foi conduzido pelo escritório Machado Meyer Advogados, com apoio técnico da consultoria Kroll. Nesta segunda fase, os auditores concentraram-se no processo de aquisição dos ativos oriundos do conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.
Em comunicado ao mercado, o BRB informou que a comissão independente de investigação “atestou o recebimento do relatório final, contendo as conclusões dos trabalhos realizados” e que todo o material foi encaminhado à Polícia Federal, que avaliará a existência de indícios suficientes para abrir procedimentos criminais.
A instituição destacou ainda seu “compromisso com a transparência, a governança corporativa e a adequada prestação de informações ao mercado, observados os deveres de sigilo legal”.
Na fase inicial, divulgada em fevereiro, a auditoria identificou sobreposição entre investidores que participaram de ofertas de ações do BRB e nomes ligados ao esquema de fraudes na compra de carteiras de crédito, avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Os resultados preliminares já haviam sido enviados à Polícia Federal e ao Banco Central na época.
Imagem: redir.folha.com.br
Entre os pontos sob análise, chamou a atenção dos investigadores o fato de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seu ex-sócio Maurício Quadrado e João Carlos Mansur, da gestora Reag, terem se tornado acionistas do BRB por meio de fundos de investimento, ao mesmo tempo em que o banco do Distrito Federal captava R$ 1 bilhão em 2024 com ofertas de ações. A suspeita é de que o reforço de capital pudesse ampliar a capacidade do BRB de realizar negócios com o Master.
O material produzido pela auditoria embasa inquérito da Polícia Federal que apura possível gestão fraudulenta ou temerária. O foco é verificar se ex-dirigentes sabiam quem eram os beneficiários finais dos fundos e se facilitaram a entrada dos investigados na base acionária. Entre os antigos gestores citados está o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, que, segundo pessoas próximas, nega ter tido conhecimento da real estrutura societária antes de submeter o processo de capitalização ao Banco Central, em abril de 2025.
Com o envio do relatório final, caberá agora à Polícia Federal decidir sobre a continuidade das apurações e a adoção de medidas judiciais.