Galípolo afirma que reclamação de Vorcaro a Lula sobre perseguição no mercado bancário era infundada

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Brasília – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou nesta quarta-feira (8) à CPI do Crime Organizado que o argumento apresentado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em reunião no Palácio do Planalto em 4 de novembro de 2024, “não fazia sentido”. Segundo Galípolo, Vorcaro e o então sócio Augusto Lima alegaram sofrer perseguição de concorrentes por utilizarem métodos inovadores, apesar de o Banco Master deter menos de 0,5% dos ativos do sistema financeiro.

Galípolo relatou que foi convocado para o encontro e chegou quando a conversa já ocorria. Participavam também o ex-ministro Guido Mantega, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), além do chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

O atual presidente do BC, que na ocasião era diretor de Política Monetária e assumiria o comando da autarquia em 30 de dezembro de 2024, contou que Lula encaminhou a queixa para análise técnica do Banco Central. “O presidente disse que eu assumiria e analisaria o caso tecnicamente. Não era assunto para o Planalto”, afirmou Galípolo à comissão.

Orientação “técnica e sem pirotecnia”

Conforme o depoimento, as únicas instruções recebidas após a reunião foram acompanhar o Banco Master “da maneira mais técnica possível” e “sem pirotecnia”. No ano seguinte, Vorcaro realizou diversas visitas ao Banco Central durante o processo de supervisão ao qual a instituição financeira estava submetida.

Convocação na CPI

Galípolo compareceu à CPI do Crime Organizado como convidado, sem obrigação legal de presença. O requerimento, apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), buscava esclarecimentos sobre eventual interferência política em procedimentos de fiscalização do sistema financeiro.

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Imagem: redir.folha.com.br

Fraudes reveladas posteriormente

Quando o encontro no Planalto ocorreu, as fraudes que mais tarde atingiriam o Banco Master ainda não haviam vindo a público. O escândalo, que não possui comissão parlamentar de inquérito própria, acabou sendo abordado pela CPI do Crime Organizado e por outras CPIs em andamento.

Documentos da Receita Federal

A CPI recebeu documentos da Receita Federal indicando pagamentos de R$ 80,2 milhões feitos pelo Banco Master ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Os trabalhos da comissão prosseguem com pedidos de novos depoimentos, quebras de sigilo e solicitações de documentos relacionados ao caso.

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