Ibovespa bate 192 mil pontos com trégua entre EUA e Irã, mas especialistas pedem cautela

Mercado Financeiro12 horas atrás9 Visualizações

São Paulo, 8 de abril de 2026 – O alívio momentâneo nas tensões no Oriente Médio impulsionou o Ibovespa a um novo recorde. O principal índice da B3 avançou 2,03% e encerrou o pregão desta quarta-feira em 192.000 pontos, superando pela primeira vez essa marca.

Trégua de duas semanas anima mercado

A possibilidade de cessar-fogo de 14 dias entre Estados Unidos e Irã, após o presidente norte-americano Donald Trump recuar do tom beligerante, reduziu o prêmio de risco global e estimulou a compra de ativos brasileiros. Apesar do recuo dos EUA, analistas lembram que Israel não participa das negociações, mantendo elevado o grau de incerteza na região.

Desempenho acumulado

Com o resultado de hoje, o Ibovespa soma alta de 2,2% na semana, 2,5% em abril e 19,3% no ano. O giro financeiro alcançou R$ 32,6 bilhões, 82% acima da média dos últimos 12 meses, de R$ 17,9 bilhões.

Setores em direções opostas

Dos 83 papéis que compõem o índice, 73 fecharam no positivo. A expectativa de menor pressão inflacionária impulsionou ações ligadas ao mercado interno, como bancos, construtoras, varejistas e siderúrgicas. O setor imobiliário liderou os ganhos.

Em contrapartida, as petrolíferas recuaram com a queda de 13% do Brent, cotado a US$ 94. Petrobras devolveu parte dos ganhos recentes e impediu que o Ibovespa subisse perto de 3% — nível que levaria o índice a 193.500 pontos.

Valuation e projeções

Mesmo após a disparada, o múltiplo preço/lucro projetado para o Ibovespa em dois anos está ao redor de 8 vezes, abaixo da média histórica de 10 vezes. No início do ano, casas como XP, Ágora e Safra estimavam o índice entre 190 mil e 198 mil pontos no fim de 2026; essas projeções já foram atingidas.

Juros e câmbio

Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em baixa: a taxa para janeiro de 2027 caiu de 14,26% para 13,96% ao ano; janeiro de 2031, de 13,88% para 13,50%; e janeiro de 2036, de 13,91% para 13,63%.

No câmbio, o dólar à vista recuou 1%, para R$ 5,10. Na semana, a divisa cede 1,1%; no mês, 1,5%; e acumula queda superior a 7% em 2026.

Recomendações de estrategistas

Consultores de investimento sugerem moderação. Segundo Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, o investidor deve evitar decisões impulsivas e montar posições gradualmente, preservando liquidez. Ele vê oportunidades em ativos dolarizados, renda fixa prefixada e títulos atrelados ao IPCA, caso as projeções de inflação recuem.

Riscos no radar

A trégua no Golfo Pérsico termina em duas semanas. O Estreito de Ormuz pode reabrir sob supervisão iraniana, mas o restabelecimento pleno do fornecimento de petróleo tende a levar meses. Enquanto isso, a pressão sobre preços e a possibilidade de retomada do conflito continuam a alimentar a volatilidade nos mercados.

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