O acirramento do conflito retórico entre Estados Unidos e Irã, seguido pelo anúncio de um cessar-fogo de duas semanas na terça-feira, elevou a incerteza nos mercados e complicou o planejamento de quem aplica em renda fixa no Brasil. Para Ian Lima, gestor da Inter Asset, o momento exige disciplina e gestão de risco redobrada. Em entrevista ao InfoMoney, ele listou oito pontos que devem orientar as alocações.
Lima recomenda fracionar as aplicações ao longo do tempo, principalmente nos vencimentos mais longos. Sem gatilho claro para queda abrupta das taxas, parcelar a entrada reduz o risco de comprar no pior nível de juros.
Em cenários de forte volatilidade, o erro mais frequente é dobrar a aposta quando surge uma aparente pechincha. O gestor sugere a estratégia inversa: encolher posições durante os picos de turbulência para evitar vendas forçadas com prejuízo.
Manter papéis atrelados ao IPCA (como Tesouro IPCA+) junto de pós-fixados (CDI ou Selic) cria proteção tanto para o cenário-base quanto para eventuais choques imprevistos.
Com a taxa básica em torno de 14,75% ao ano, títulos pós-fixados já oferecem retorno expressivo sem exigir apostas direcionais. Caso o Banco Central interrompa ou reduza o ciclo de cortes por pressão inflacionária, esses papéis acompanham a alta.
Lima vê espaço em títulos prefixados que vencem a partir de janeiro de 2029. Já os papéis para 2026 e 2027 têm potencial mais limitado enquanto a inflação seguir elevada. Ele lembra que, em agosto de 2023, a curva embutia corte de 500 pontos-base e quem entrou naquele momento perdeu dinheiro.
Imagem: REUTERS via infomoney.com.br
As NTN-B 2027 e 2028 perderam atratividade após a inflação implícita subir para cerca de 5% ao ano. Para investidores que confiam na meta de 3% perseguida pelo Banco Central, o gestor sugere diminuir gradualmente a exposição a esses vencimentos.
Os títulos do Tesouro IPCA+ a partir de 2045 continuam interessantes. Com taxas reais próximas de 7,5% ao ano, oferecem prêmio fiscal de longo prazo e menor sensibilidade às pressões inflacionárias de curto prazo.
Segundo Lima, a maioria das companhias de grau de investimento exibe balanços sólidos, afastando risco sistêmico. O ponto de atenção recai sobre os spreads, que podem alargar se investidores precisarem de caixa. Com a tensão geopolítica dando sinais de trégua, essa preocupação tende a diminuir.
Para o gestor, a principal lição é evitar apostas excessivamente ambiciosas em um momento de visibilidade limitada: “As casas com 50 analistas e as com apenas um têm hoje a mesma capacidade preditiva: nenhuma”.