Fundos macro resistem e mantêm ganhos no ano apesar de março adverso

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A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã transformou março em um dos meses mais difíceis para os multimercados brasileiros, mas parte dos portfólios de estratégia macro conseguiu atravessar o período no azul e sustentar resultados positivos em 2026.

Levantamento realizado pelo InfoMoney com base em dados da Economatica aponta que 80 fundos, de um universo de 200 carteiras macro com patrimônio superior a R$ 100 milhões e sem foco em crédito privado, fecharam março com rentabilidade acumulada positiva no ano.

Resultados de destaque

Entre os dez maiores rendimentos de 2026, predominam veículos de menor tamanho, mas o Verde Master chama atenção ao combinar alto patrimônio – R$ 5,63 bilhões – com ganhos de 5,07% no período, superando o CDI.

Outras carteiras que preservaram avanço anual são:

  • Parcitas Hedge Master – alta de 7,10% no ano, apesar de recuo de 2,07% em março;
  • BB Mult Macro LP – ganho de 5,30% em 2026 e leve avanço de 0,70% no mês;
  • Kondor Master – 4,77% no ano, com variação de –0,04% em março.

No sentido oposto, carteiras alavancadas e de maior volatilidade registraram perdas mais acentuadas. O IHFA (Índice de Hedge Funds da Anbima) recuou 3,42% em março, pior marca mensal desde a queda de 6,24% em março de 2020, no início da pandemia.

Estratégias que fizeram diferença

A volatilidade do câmbio, a disparada dos juros e o tombo das bolsas, local e externa, pressionaram posições direcionais e pegaram diversos gestores no contrapé. Segundo Rodrigo Gatti, sócio da Parcitas Investimentos, a gestora compensou parte das perdas ao equilibrar apostas entre ações brasileiras e americanas, beneficiada pela correção mais forte nas praças desenvolvidas.

Gatti afirma que o fundo mantinha exposição modesta a juros domésticos, o que reduziu o impacto da alta das taxas. No momento, a carteira está mais concentrada em bolsa, dividida entre Brasil e Estados Unidos. “É difícil prever o fim da guerra; por isso, buscamos um portfólio equilibrado e com risco constante”, comenta.

Rafael Garcia, gerente de investimentos da ZIIN Investimentos, observa que carteiras menos expostas a ações e com proteção em moedas tiveram performance superior. No acumulado do ano, o Ibovespa sobe mais de 16%, enquanto o S&P 500 recua quase 10%, e o CDI rende 3,41%. “Fundos que vão bem até aqui tendem a ter reforçado posições em Brasil, tanto em bolsa quanto em juros curtos, reduzindo ou hedgeando o exterior”, diz.

Visões para os próximos meses

Para Rafael Meyer, portfolio manager da SWM Multi Family Office, março representou “uma das piores perdas mensais da história da classe”, com alfa médio próximo de –2,5%. Ele destaca que a correlação entre multimercados, bolsa e juros aumentou, comprometendo a diversificação. Ainda assim, a maior volatilidade abre oportunidades para realinhar posições a preços mais atrativos.

Gestores como Bruno Corteiro, da Kapitalo, mantêm apostas na parte longa da curva de juros e em petróleo, considerando que os danos à infraestrutura iraniana ainda não se refletem integralmente nos preços. Na Genoa Capital, André Raduan também enxerga espaço para novas altas da commodity, enquanto a Ibiúna Investimentos monitora a crise de crédito privado nos Estados Unidos e oportunidades pontuais em mercados como Hungria e Colômbia.

Apesar das fortes oscilações, analistas avaliam que os multimercados seguem úteis para diversificação, especialmente para investidores com horizonte de dois a três anos e tolerância a volatilidade. A seleção de gestores, porém, torna-se crucial: dos 276 fundos que compõem o IHFA, apenas 73 (26%) superaram o CDI no ano até março.

Entre as maiores carteiras macro, o mês foi negativo para a maioria, mas alguns nomes se mantêm no terreno positivo em 2026. Além do Verde, destacam-se:

  • Legacy Capital Master – alta de 0,13% no ano, apesar de queda de 3,40% em março;
  • Absolute Vertex II – ganho de 2,65% no ano e recuo de 0,88% no mês;
  • Opportunity Total Master – 1,01% em 2026, com perda de 2,79% em março.

Na avaliação de Gabriel Uarian, analista da Cultura Capital, o histórico mostra que, após correções severas, a categoria costuma recuperar parte das perdas nos meses seguintes graças à flexibilidade de mandato. Para isso, ressalta, é necessário horizonte de pelo menos três a cinco anos e alinhamento ao perfil de risco.

Com a Selic em 14,75% elevando o custo de oportunidade, a escolha do multimercado deixou de ser trivial, lembra Marcelo Boragini, da Davos Investimentos. “O que fez diferença foi a capacidade de adaptação dos gestores. A volatilidade deve permanecer alta, o que amplia oportunidades, mas também a dispersão de resultados”, conclui.

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