O Bitcoin (BTC) acumula perda de 42% desde outubro, enquanto o Índice de Medo & Ganância permanece abaixo de 20 pontos há cerca de dois meses, indicando clima de pânico. Apesar disso, investidores de grande porte voltaram às compras.
Na quinta-feira (9), os ETFs de Bitcoin à vista somaram entrada líquida de US$ 358 milhões. O IBIT, da BlackRock, concentrou US$ 269 milhões desse montante. Março já havia sido o primeiro mês positivo após quatro consecutivos de resgates, com captação total de US$ 1,32 bilhão.
Dados on-chain da CryptoQuant mostram que carteiras classificadas como “baleias” adicionaram 270 mil BTC nos últimos 30 dias, maior movimento líquido de compra em 13 anos. Apenas na semana passada, investidores de longo prazo absorveram aproximadamente 30 mil BTC. As reservas mantidas em exchanges caíram para 2,21 milhões de BTC, o menor patamar desde dezembro de 2017.
Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, observa que a redução de oferta nas bolsas diminui a pressão vendedora e cria cenário construtivo para o médio prazo.
Responsável pela maior posição corporativa de Bitcoin do mundo, a empresa fundada por Michael Saylor vendeu mais de 3 milhões de ações preferenciais série STRC na quinta-feira, levantando capital suficiente para adquirir mais de 2.000 BTC (cerca de US$ 144 milhões). A expectativa é que o volume de compras ultrapasse US$ 300 milhões na semana, à medida que se aproxima a data de corte para pagamento de dividendos, marcada para a próxima quarta-feira.
O Goldman Sachs divulgou exposição de US$ 1,1 bilhão em ETFs de Bitcoin. Já o Morgan Stanley lançou na terça-feira o MSBT, primeiro ETF de Bitcoin à vista de um grande banco dos Estados Unidos. Com taxa anual de 0,14%, o produto captou US$ 34 milhões no primeiro dia, tornando-se o mais barato do mercado.
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• A Bernstein mantém alvo de US$ 150 mil para o fim de 2026, citando baixa saída de ETFs (menos de 5%) e oferta inativa de 60% do total de BTC.
• O JPMorgan projeta faixa de US$ 240 mil a US$ 266 mil no longo prazo, em comparação ao ouro ajustado à volatilidade.
• O Goldman Sachs vê piso do ciclo entre US$ 69 mil e US$ 71 mil e preço potencial de US$ 200 mil, caso haja cortes de juros e avanço regulatório.
• O Citigroup reduziu sua meta para US$ 112 mil, citando lentidão regulatória nos EUA.
• O Standard Chartered alerta para eventual recuo a US$ 50 mil antes de possível recuperação e revisou o objetivo anual para US$ 100 mil.
Segundo a analista técnica Ana de Mattos, o BTC encontra resistência em US$ 75.000; rompido esse patamar, o próximo alvo pode ser US$ 85.500. Os suportes estão em US$ 69.150 e US$ 66.500.
Fábio Plein, diretor regional para as Américas da Coinbase, mantém perspectiva neutra para o segundo trimestre de 2026, apontando riscos geopolíticos. Ele destaca, porém, que o Bitcoin tem mostrado maior resiliência do que ativos como ouro e prata desde o início do conflito no Oriente Médio.
Na manhã desta sexta-feira, a criptomoeda era negociada em torno de US$ 73 mil, longe do recorde de US$ 126 mil alcançado em outubro de 2025, mas com sinais de compra robusta por parte dos principais participantes do mercado.