A Hapvida, operadora de planos de saúde que abriu capital em 2018, viu seu valor de mercado encolher cerca de 95% nos últimos cinco anos e passou a valer hoje apenas 5% do registrado em 2021.
Na última semana, a companhia substituiu o presidente‐executivo Jorge Pinheiro Koren de Lima, no cargo desde 2001. A saída do executivo, filho mais velho do fundador Candido Pinheiro Koren de Lima, ocorre em meio a questionamentos de acionistas sobre a estratégia de crescimento baseada em aquisições e preços mais baixos.
A administradora de recursos Squadra, detentora de pouco mais de 5% das ações da Hapvida, divulgou carta na qual responsabiliza a administração por “uma das maiores destruições de valor da história do mercado de capitais brasileiro”. O documento cita decisões consideradas equivocadas em estratégia, operação, alocação de capital e governança.
Entre as críticas, a gestora aponta o volume destinado a fusões e aquisições, que teria reduzido o peso da operação original da Hapvida dentro do grupo. Um dos movimentos mais relevantes foi a fusão, em 2022, com a Notre Dame Intermédica, anunciada como forma de gerar sinergias e reduzir custos administrativos e logísticos.
Após a integração, beneficiários passaram a ter uma rede assistencial mais restrita, concentrada em unidades próprias. A Notre Dame lidera reclamações de usuários na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No Sudeste e no Sul, regiões onde o grupo atua, a Hapvida perdeu 238 mil clientes, enquanto o total de beneficiários de planos nessas áreas aumentou em quase 800 mil no mesmo período.
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Além da troca de comando, a empresa sinalizou que poderá vender parte de suas operações e iniciou cobrança de dívidas de clientes e parceiros, medidas vistas como tentativa de reforçar o caixa.
O cenário ocorre em meio a uma retomada de fusões e aquisições no país. No primeiro trimestre deste ano, essas transações movimentaram cerca de US$ 16 bilhões (R$ 80 bilhões), aumento de 30% em relação ao mesmo intervalo de 2025.