São Paulo, 13 de abril de 2026 – A curva de juros futuros encerrou esta segunda-feira sem direção única. Enquanto as taxas de curtíssimo prazo subiram, os contratos de prazos médio e longo recuaram diante da possibilidade de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou para 14,095%, ante 13,060% no ajuste anterior. Já a taxa para janeiro de 2029 caiu a 13,310% frente aos 13,380% do fechamento de sexta-feira (10). Nos vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2036 recuou de 13,455% para 13,425%.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries também cederam. O título de dois anos passou de 3,801% para 3,778%, enquanto o papel de dez anos caiu de 4,317% para 4,293%.
No mercado doméstico, investidores acompanharam o Boletim Focus. Pela quinta semana seguida, economistas elevaram a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, que subiu de 4,36% para 4,71%, ultrapassando o intervalo de tolerância da meta do Banco Central.
No fim de semana, representantes de Washington e Teerã deixaram Islamabad sem acordo após 21 horas de discussões. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que o Irã se recusou a interromper o programa nuclear. Já o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, acusou os EUA de mudar repetidamente suas exigências.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Apesar das divergências – que englobam o programa nuclear, possíveis reparações de guerra e o controle do Estreito de Ormuz – analistas do UBS Wealth Management avaliam que ambos os lados mantêm incentivos para buscar uma solução diplomática.
As tensões aumentaram ontem (12) quando o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou interromper totalmente o tráfego no Estreito de Ormuz. Segundo a Reuters, forças norte-americanas iniciaram nesta segunda-feira o bloqueio a embarcações que deixam portos iranianos, levando Teerã a ameaçar represálias contra portos vizinhos.
Mesmo assim, declarações de Trump, sugerindo que o Irã deseja um acordo, trouxeram algum otimismo aos mercados, contribuindo para o recuo das taxas de juros nos prazos mais longos.