Washington, — A American Bankers Association (ABA) criticou um estudo do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca que indica impacto mínimo para os bancos caso o pagamento de rendimentos sobre stablecoins seja proibido.
Divulgado na quarta-feira, o documento intitulado “Efeitos da Proibição de Rendimento de Stablecoins sobre o Crédito Bancário” calcula que, em um cenário de referência, vetar o rendimento desses ativos elevaria a concessão de empréstimos em apenas US$ 2,1 bilhões — variação considerada marginal de 0,02%.
Em reação divulgada nesta segunda-feira, o economista-chefe da ABA, Sayee Srinivasan, e o vice-presidente de pesquisa bancária e econômica, Yikai Wang, afirmaram que o verdadeiro ponto de preocupação não é a influência da proibição no crédito, mas sim o risco de saída de depósitos caso o pagamento de rendimento a stablecoins seja autorizado.
Segundo os executivos, mesmo que o volume total de depósitos do sistema permaneça estável, é provável que recursos migrem de bancos comunitários para grandes instituições, elevando o custo de captação das menores e reduzindo o crédito local. “Alguns desses bancos pequenos podem não ter flexibilidade de balanço para absorver essa fuga sem recorrer a empréstimos no atacado, mais caros”, alertaram.
A discussão ocorre enquanto representantes dos setores bancário e cripto negociam, no Senado norte-americano, trechos de um projeto de lei que definirá a supervisão de ativos digitais. Um dos impasses é justamente a redação que trata da possível proibição de pagamentos de rendimento sobre stablecoins.
Imagem: cointelegraph.com
O temor da ABA ecoa um relatório do Tesouro, publicado em abril de 2025, que estimou a saída de até US$ 6,6 trilhões em depósitos do sistema bancário dos Estados Unidos diante de adoção ampla de stablecoins.
Apesar das preocupações, os pesquisadores da ABA reconheceram que famílias e empresas têm forte incentivo financeiro para transferir recursos a stablecoins que ofereçam retornos mais altos. O tema já havia sido levantado pelo CEO da Coinbase, Brian Armstrong, crítico à prática de juros próximos de zero paga pelos bancos e defensor de que os rendimentos em stablecoins forçariam o setor bancário a competir de forma mais equilibrada.
A ABA representa algumas das maiores instituições financeiras do país, como JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Citigroup.