O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou nesta quinta-feira (16) que é contrário a qualquer iniciativa do governo federal para socorrer o Banco de Brasília (BRB), que enfrenta um déficit estimado em R$ 12,2 bilhões após a compra de carteiras de crédito sem lastro do Banco Master.
“Eu, se esse assunto chegar, sou radicalmente contra socorrer o BRB”, declarou Guimarães durante café da manhã com jornalistas em Brasília.
Na véspera, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), disse que o Palácio do Planalto não apresentou qualquer proposta de ajuda. Em 30 de março, Celina havia discutido o tema por telefone com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
A avaliação no governo federal é de que o problema deve ser resolvido pelo próprio Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do banco. No fim de março, o DF sancionou lei que autoriza a contratação de até R$ 6,6 bilhões em operações de crédito junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou a outras instituições, além de permitir aportes para reforçar o capital social do BRB.
O grupo que comanda o DF é adversário do PT. Celina assumiu o Executivo local após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado e apoiou Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2022.
Apesar da divergência política, Guimarães afirmou que o governo Lula mantém investimentos em estados ou municípios independentemente das alianças locais, citando como exemplo recursos recentes destinados ao Mato Grosso do Sul, onde Bolsonaro venceu no segundo turno de 2022.
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O ministro também comentou a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco, ocorrida nesta quinta (16). Costa é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A investigação aponta a ocultação de seis imóveis — quatro em São Paulo e dois em Brasília — avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões já teriam sido pagos.
Guimarães relatou ter pensado inicialmente que o ex-governador Ibaneis Rocha também havia sido preso e elogiou o trabalho da Polícia Federal, ressaltando que a diretriz do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é “investigar, doa a quem doer”.
A defesa de Costa, representada pelo advogado Cléber Lopes, afirmou que o ex-executivo “não cometeu crime algum” e classificou a prisão como exagerada.
O BRB tornou-se peça central no escândalo envolvendo o Banco Master após tentativa de aquisição da instituição de Daniel Vorcaro, vetada pelo Banco Central.