O Match Group, maior companhia de namoro online do mundo, traçou como principal meta reequilibrar a base de usuários do Tinder, hoje majoritariamente masculina, para interromper a perda de público até o fim de 2027. A iniciativa é liderada por Spencer Rascoff, que assumiu a presidência do grupo em fevereiro de 2025 e passou a comandar o aplicativo em julho do mesmo ano.
Segundo a consultoria Sensor Tower, o número de usuários ativos mensais do Tinder recuou de 65,4 milhões em 2021 para 50,5 milhões em 2025. A mesma empresa estima que 75% desse total sejam homens. “Conquistar as mulheres é fundamental para nós”, afirmou Rascoff, acrescentando que atingir a paridade de gênero é “muito desafiador”, mas essencial para o crescimento.
Rascoff atribui a desaceleração do aplicativo à ausência de inovação depois do sucesso inicial do mecanismo de deslizar perfis. Ele considera que o modelo se tornou excessivamente “gamificado”, o que teria afastado parte das usuárias. Para reverter o cenário, o executivo anunciou recursos como encontros duplos, chamadas de vídeo e filtros por interesses compartilhados, como preferências musicais, voltados principalmente à Geração Z e ao público feminino.
No primeiro trimestre sob sua gestão, a taxa anual de redução de usuários era de 11%. O dirigente diz ter diminuído o ritmo para 8,5% e projeta zerar a retração até dezembro de 2027. Para isso, o Tinder prevê investir US$ 60 milhões em novos produtos neste ano, frente a US$ 15 milhões aplicados em 2025. O orçamento de marketing subirá de US$ 180 milhões para US$ 230 milhões no mesmo período.
De acordo com Rascoff, o conselho do Match Group autorizou priorizar iniciativas voltadas ao consumidor em detrimento de resultados financeiros imediatos. Ele destaca que, com mais usuários ativos, parte deles tende a aderir às assinaturas premium futuramente, o que compensaria os gastos atuais.
A desaceleração pós-pandemia afetou todo o setor de aplicativos de relacionamento, pressionando ações do Match Group e de rivais como o Bumble. Desde 2021, os papéis do Match perderam mais de 80% de valor de mercado. Internamente, o grupo observa a rápida expansão do Hinge, adquirido em 2018. A plataforma focada em relacionamentos sérios registrou receita operacional de US$ 166,3 milhões em 2025, contra US$ 74,3 milhões dois anos antes, enquanto a do Tinder caiu de US$ 955,5 milhões para US$ 832,6 milhões.
Imagem: redir.folha.com.br
Rascoff reconhece que, no futuro, o Hinge pode ultrapassar o Tinder em relevância, mas descarta a tese de que o público perdeu interesse por aplicativos de namoro. “As pessoas não rejeitam os apps; rejeitam aqueles que não funcionam”, disse.
Para Dan Salmon, sócio e chefe de pesquisa de internet da New Street Research, o presidente do Match Group fez uma “reavaliação honesta” e ajustou a estratégia. O analista pondera, contudo, que ainda é incerto se as medidas superarão as mudanças de comportamento da Geração Z, especialmente entre as mulheres.
Enquanto aposta em novos recursos, reforço de liderança — incluindo a chegada de um diretor de tecnologia — e publicidade, o Match Group tenta provar que a maior eficiência do Tinder será suficiente para recuperar tanto a participação de mercado quanto a confiança de investidores nos próximos anos.