O preço do petróleo iniciou a semana em forte alta, refletindo a nova interrupção do tráfego marítimo no Estreito de Hormuz. Nas primeiras operações referentes a esta segunda-feira (20), o Brent, referência global, subia cerca de 6%, negociado a aproximadamente US$ 96 por barril no contrato com vencimento em junho.
O movimento reverte a queda acentuada registrada na sexta-feira (17), quando o anúncio de reabertura da rota havia derrubado as cotações do Brent e do WTI, referência norte-americana, para os menores níveis desde março.
Ao longo do sábado (18), a Guarda Revolucionária do Irã atacou embarcações que transitavam pelo Estreito de Hormuz, segundo agências internacionais. Teerã retomou regras mais rígidas de passagem alegando violações por parte dos Estados Unidos.
Em pronunciamento televisionado, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que Washington não conseguiu impor ultimatos nem obter apoio internacional para a guerra, que já dura oito semanas.
Em resposta, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o Irã “está fazendo graça” e ameaçou destruir a infraestrutura iraniana caso não haja acordo. O republicano acrescentou que representantes dos dois países devem se reunir no Paquistão nesta segunda-feira (20); o atual cessar-fogo expira na quarta-feira (22). Segundo a agência Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária, o regime iraniano ainda não decidiu se participará do encontro.
A suspensão das atividades nucleares iranianas segue como ponto crítico. Washington afirma que Teerã aceitou abrir mão do urânio enriquecido, mas o governo iraniano não confirma. Os EUA propõem paralisação de 20 anos, enquanto o Irã, segundo o New York Times, admite no máximo cinco anos.
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Responsável por aproximadamente 20% do comércio mundial de petróleo e gás natural liquefeito, o Estreito de Hormuz virou gargalo para embarcações. Dados da plataforma MarineTraffic indicam que nenhuma nave entrou ou saiu do Golfo Pérsico desde as 21h de sábado (horário de Brasília).
Analistas avaliam que a combinação de negociações incertas e dificuldades logísticas deve manter a volatilidade nos preços por vários meses. Mesmo que o corredor marítimo seja reaberto, empresas de transporte aguardam garantias de segurança antes de retomar operações.
Desde o início do conflito, as cotações do Brent acumulam alta de 25%.