Califórnia acusa Amazon de pressionar concorrentes a elevar preços

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SACRAMENTO (EUA) – Documentos judiciais tornados públicos nesta segunda-feira revelam que o estado da Califórnia acusa a Amazon de orquestrar, nos bastidores, manobras para impedir que outras varejistas ofereçam preços mais baixos que os do próprio marketplace, elevando valores em toda a internet.

Pressão sobre marcas e varejistas

Segundo a ação antitruste movida pela Procuradoria-Geral do estado, a empresa teria atuado junto a fornecedores e marcas, como a Levi Strauss, para influenciar preços em rivais como Walmart, Home Depot e Chewy.

Em um dos episódios descritos, a Levi teria solicitado ao Walmart o aumento do preço de calças cáqui depois que a Amazon questionou um valor menor anunciado pela rede. Em outra situação, fornecedores teriam sido incentivados a coordenar elevações em itens como petiscos para animais de estimação, evitando que a Amazon fosse obrigada a igualar valores mais baixos.

Três táticas apontadas pelo estado

A queixa detalha três métodos atribuídos à companhia:

1. Incentivar concorrentes a subir preços;

2. Romper temporariamente políticas de igualar ofertas, permitindo que valores maiores se consolidem;

3. Retirar produtos de sites rivais, eliminando opções mais baratas antes de reajustar preços na Amazon e em outros canais.

Em certos casos, conforme o processo, fornecedores teriam retirado totalmente mercadorias de outras varejistas para que não existissem alternativas mais em conta.

Alegada imposição de sanções

Autoridades estaduais relatam que a Amazon se valia de sua escala de mercado para impor conformidade, ameaçando suprimir listagens, limitar promoções ou aplicar penalidades financeiras a quem permitisse preços inferiores em plataformas concorrentes.

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Imagem: Bradford Betz FOXBusiness via foxbusiness.com

“A Amazon está agindo ilegalmente para garantir lucros ao impedir que consumidores encontrem valores menores em qualquer outro lugar”, declarou o procurador-geral Rob Bonta.

Resposta da empresa

A Amazon rejeitou as acusações, afirmando que seus acordos com vendedores são legítimos e visam assegurar preços competitivos e disponibilidade de produtos. A companhia se autodeclarou “o varejista on-line com os menores preços dos Estados Unidos” e classificou o processo como tentativa de desviar a atenção de um caso fraco.

Documentação e próximos passos

Os autos também sugerem que a empresa desencorajava registros escritos de discussões sensíveis sobre preços, preferindo conversas telefônicas. O julgamento está marcado para janeiro de 2027, com uma audiência preliminar prevista para julho deste ano. A Califórnia busca interromper as práticas descritas e recuperar eventuais lucros obtidos.

A relevância do caso cresce à medida que a Amazon, que recentemente superou o Walmart em receita anual, amplia sua presença no varejo on-line.

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