A XP Investimentos reiterou recomendação neutra para as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) e elevou o preço-alvo para R$ 24, segundo relatório divulgado em 24 de abril de 2026.
Os analistas Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães reconhecem que o banco executou seus planos “melhor do que o esperado” e mostra maior resiliência diante da piora econômica. Ainda assim, eles avaliam que o cenário à frente deve ser marcado por menor potencial de ganhos fáceis, competição mais intensa e necessidade constante de investimentos em tecnologia.
A dupla destaca que as expectativas de cortes na Selic se deterioraram no primeiro trimestre de 2026, prolongando o período de juros elevados. Esse ambiente pressiona orçamentos de famílias e de pequenas e médias empresas, o que limita a expansão do crédito.
Mesmo nesse contexto, o Bradesco conseguiu manter a inadimplência controlada por meio de concessões mais criteriosas, com foco em crédito garantido. Porém, nova deterioração macroeconômica ainda pode comprometer a qualidade dos ativos.
Com o papel negociando a aproximadamente 1,2 vezes o preço sobre valor patrimonial (P/VP) e 7,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) projetado para 2026, os analistas entendem que o mercado segue cético quanto à capacidade do banco de entregar retornos sustentáveis significativamente acima do custo de capital.
Imagem: Renan Dantas via moneytimes.com.br
O relatório ressalta que a operação de seguros e consórcios, responsável por cerca de metade do lucro consolidado, pode não estar totalmente refletida na avaliação atual da companhia. A recente reorganização societária, que agrupa os ativos de seguro-saúde sob a marca Odontoprev, pode tornar o valor desses negócios mais transparente, abrindo espaço para eventual reprecificação no mercado.
Apesar do desempenho robusto da ação — alta superior a 70% em poucos meses —, a XP considera que o potencial de valorização adicional é limitado neste momento e, por isso, mantém a postura neutra.