Mulheres no Brasil dizem sentir mais insegurança e desânimo diante da própria situação financeira do que os homens, mostra pesquisa Datafolha realizada em 8 e 9 de abril com 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com 95% de confiança.
O instituto construiu um índice de humor financeiro baseado em seis sensações negativas (preocupação, desânimo, tristeza, insegurança, medo superior à esperança e sensação de despreparo para o futuro). Quatro em cada dez entrevistados classificam seu humor como ruim ou péssimo em relação às finanças.
Entre as mulheres, a taxa chega a 44%. Entre os homens, fica em 36%.
Para o economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), Fabio Bentes, a disparidade de renda ajuda a explicar o quadro. Ele lembra que o rendimento feminino é, em média, cerca de 20% inferior ao masculino e que a presença das mulheres no mercado de trabalho ainda é menor, elevando o risco de endividamento e inadimplência. A pesquisa captou esse traço: a parcela de entrevistadas negativadas superou a dos homens.
Bentes acrescenta que, em cargos de liderança, a diferença salarial pode chegar a 30 p.p. em favor dos homens, segmento em que a participação feminina é reduzida.
As entrevistadas também demonstraram preocupação maior com os efeitos das finanças na saúde geral e mental. A influência sobre desempenho em trabalho ou estudos foi outro aspecto mencionado com mais frequência por elas.
Imagem: redir.folha.com.br
O levantamento ressalta ainda a expansão do número de lares chefiados por mulheres, muitas vezes responsáveis sozinhas pelo orçamento familiar, o que amplia a sensação de vulnerabilidade.
Quase metade dos brasileiros considera a situação financeira pessoal e familiar “regular”. Quatro de cada dez a classificam como ótima ou boa.
Quanto ao futuro, a maioria acredita que a condição financeira vai melhorar muito, enquanto aproximadamente 30% projetam melhora moderada.