A temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 ganha força a partir desta semana, com a divulgação de resultados de empresas como Vale e Santander. Relatórios de Itaú BBA, XP e Banco Safra indicam que companhias dos setores de energia e financeiro tendem a liderar o desempenho, enquanto varejo e agronegócio devem enfrentar maior pressão.
O ambiente continua marcado pela taxa Selic a 14,75% e por conflitos no Oriente Médio, fatores que ajudam bancos e produtoras de petróleo, mas pesam sobre consumo e produção rural. Desde o início das tensões com o Irã, o barril de petróleo acumula alta de cerca de 40%.
Itaú BBA projeta que o setor bancário siga sólido, sustentado por margens financeiras elevadas e inadimplência controlada. A combinação de juros ainda altos e queda gradual das taxas deve favorecer especialmente os bancos privados.
A XP destaca o Bradesco, prevendo recuperação de resultados graças à maior participação de crédito com garantias e melhora na rentabilidade.
Para o Itaú, o Banco do Brasil inspira cautela. A instituição espera trimestre mais fraco, com aumento de perdas em crédito e pressão sobre o ROE. No quarto trimestre de 2025, o lucro do BB caiu 40% ante o mesmo período de 2024, para R$ 5,7 bilhões, impactado por alta na inadimplência de produtores rurais.
Produtoras como Petrobras e Prio, e distribuidoras como Vibra e Ultrapar, devem registrar forte geração de caixa. A XP ressalta que o desconto entre preços domésticos na saída de refinarias e a paridade de importação beneficia as grandes distribuidoras.
O Banco Safra também prevê melhora para o segmento, citando fiscalização regulatória contínua e ambiente favorável de preços. O setor ainda se reorganiza após a operação Carbono Oculto, que investigou fraudes envolvendo postos e distribuidoras ligados ao PCC e atingiu a Refit, dona da refinaria de Manguinhos.
No varejo, o Banco Safra aponta o alto endividamento das famílias e o movimento de trade down — troca por produtos mais baratos — como fatores que devem limitar o crescimento. O Itaú vê vendas abaixo da inflação e margens comprimidas para Azzas, Grupo Mateus e Natura.
No agronegócio, a Selic elevada pressiona resultados financeiros. O boletim Focus de 27 de abril projeta a taxa em 13% ao fim de 2026. Além disso, o conflito no Oriente Médio encarece fertilizantes, sobretudo nitrogenados, elevando a preocupação com a próxima safra.
28 de abril – Vale (após o fechamento) | Neoenergia (após o fechamento)
29 de abril – Santander (antes da abertura) | Weg (antes da abertura) | Riachuelo (horário a confirmar) | Suzano, Motiva (após o fechamento)
Imagem: redir.folha.com.br
5 de maio – Ambev (antes da abertura) | Itaú Unibanco, Prio, C&A, Pão de Açúcar (após o fechamento)
6 de maio – Bradesco, CSN, Ultrapar, Vibra Energia (após o fechamento)
7 de maio – Mercado Libre (horário a confirmar) | Hapvida, Oncoclínicas, PetroReconcavo, Azzas 2154, Lojas Renner, Magazine Luiza, Sabesp (após o fechamento)
8 de maio – Embraer (após o fechamento)
11 de maio – Petrobras, Natura (após o fechamento)
12 de maio – JBS (horário a confirmar) | BTG Pactual (antes da abertura) | Braskem (horário a confirmar) | PagBank (após o fechamento)
13 de maio – Raízen, Banco do Brasil, Brava Energia, Americanas, Grupo Casas Bahia (após o fechamento)
14 de maio – Nubank, Cosan (após o fechamento)