O custo estimado da linha de trem de alta velocidade da Califórnia saltou para US$ 231 bilhões, mais de sete vezes o valor calculado quando a iniciativa foi aprovada pelos eleitores em 2008. O novo número, apresentado no rascunho do plano de negócios de 2026 da California High-Speed Rail Authority (CHSRA), reacendeu críticas de parlamentares estaduais que pedem o abandono do empreendimento.
“Tenho dito há anos que este é provavelmente o projeto governamental mais desperdiçador da história”, afirmou o senador estadual Tony Strickland, vice-presidente do Comitê de Transportes do Senado, em entrevista ao New York Post. Ele defende a suspensão definitiva da obra.
Quando recebeu a primeira emissão de títulos em 2008, o trem-bala foi orçado entre US$ 33 bilhões e US$ 45 bilhões, com conclusão prevista para 2020 e trajeto ligando Los Angeles a São Francisco. O plano atual indica que apenas o primeiro trecho – meridional, entre Merced e Bakersfield, no Vale Central – não ficará pronto antes de 2032 sem a obtenção de novos recursos.
Em 2019, o governador Gavin Newsom reduziu o escopo original, alegando falta de transparência e viabilidade financeira para ligar todo o Estado. Desde então, o foco passou a ser o corredor de 171 milhas (aproximadamente 275 quilômetros) no interior da Califórnia.
Lou Thompson, ex-presidente do grupo legislativo que revisa o projeto, classificou a iniciativa como “beco sem saída” em carta enviada em março a líderes estaduais. Segundo ele, a “postura de negação” da CHSRA e do Legislativo precisa terminar.
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Em julho, a Administração Federal de Ferrovias (FRA) do então presidente Donald Trump cancelou US$ 4 bilhões em verbas federais, alegando descumprimento de acordos prévios. A Califórnia entrou com ação contra a medida, mas o processo foi arquivado em dezembro pelo procurador-geral Rob Bonta.
Diante da escalada de custos, o Estado busca agora parceiros privados. Ainda assim, o deputado federal Kevin Kiley, republicano da Califórnia, classificou o empreendimento como o “pior fracasso de infraestrutura pública da história dos Estados Unidos”.
Até o momento, o gabinete do governador Gavin Newsom e o próprio Kiley não comentaram as críticas mais recentes.