Alta do petróleo, El Niño e estímulos do governo põem em xeque novos cortes da Selic, avaliam economistas

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O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (29), para 14,5% ao ano. Analistas veem, porém, riscos crescentes de inflação que podem comprometer a continuidade do ciclo de afrouxamento.

Pressões adicionais

Além do choque do petróleo provocado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, especialistas citam:

  • possível alta de preços de alimentos em 2027, caso o fenômeno El Niño se intensifique;
  • estímulos à demanda via medidas governamentais, como o novo Desenrola e restrições a apostas online;
  • elevação das expectativas de inflação alimentada pela guerra no Oriente Médio.

No Boletim Focus mais recente, a projeção para o IPCA de 2026 subiu para 4,86%, acima do teto da meta de 4,5%. Para 2027, a estimativa alcançou 4%.

Petróleo dispara

Na sessão desta quarta, o barril do Brent avançou 7%, para US$ 112,4, em meio à indefinição das negociações para encerrar a crise no Oriente Médio.

O que dizem os economistas

Sérgio Vale, da MB Associados, lembra que o Banco Central trabalha com horizonte de 18 meses e vê chance de pico nos preços de alimentos por volta de meados de 2027, o que torna incerta a sequência de cortes.

Para Bruno Imaizumi, da 4intelligence, o componente eleitoral exerce pressão para reduções de juros antes do pleito. Segundo ele, políticas que estimulam o consumo tendem a acelerar a atividade.

Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, destaca trecho do comunicado do Copom sobre expectativas desancoradas: “petróleo mais caro eleva expectativas, que por sua vez retroalimentam a inflação”.

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Imagem: redir.folha.com.br

Luis Felipe Vital, estrategista-chefe da Warren Investimentos, acrescenta fatores como aumento do rendimento real, serviços aquecidos e custos de energia. Ainda assim, considera o conflito no Oriente Médio o principal foco de preocupação.

Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, o Copom adotou tom mais cauteloso ao observar que a inflação doméstica se afasta da meta. A leitura é compartilhada por André Muller, da AZ Quest.

Caio Megale, economista-chefe da XP, reconhece deterioração do cenário, mas avalia que o comitê ainda confia na eficácia da restrição monetária aplicada até aqui.

Inflação corrente e expectativas

O IPCA acumulado em 12 meses até março ficou em 4,14%.

No Focus, as projeções para a Selic permanecem em 13% ao fim de 2026, 11% em 2027 e 10% em 2028; para 2029, houve recuo de 9,88% para 9,75%.

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