O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (30) em baixa frente ao real, após o Banco Central reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, na véspera.
Às 9h40, a moeda norte-americana era negociada a R$ 4,986, recuo de 0,31%. No exterior, o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, cedia 0,52%.
O Copom manteve o ritmo gradual de afrouxamento monetário ao repetir o corte de 0,25 ponto percentual. O colegiado preferiu um ajuste conservador diante de projeções de inflação mais distantes da meta de 3% para 2026 e evitou sinalizar próximos passos.
Durante o pregão, investidores monitoram a divulgação do PIB dos Estados Unidos e a taxa de desemprego do primeiro trimestre no Brasil.
Na quarta-feira (29), o dólar avançou 0,39%, encerrando a R$ 5,001, enquanto o Ibovespa caiu 2,05%, aos 184.750 pontos, após aumento da aversão ao risco no fim da tarde.
Também na quarta, o Federal Reserve manteve os juros dos EUA entre 3,5% e 3,75% ao ano, com votação de 8 a 4 — o maior número de dissensos desde 1992. Três dirigentes (Beth Hammack, Neel Kashkari e Logie Logan) defenderam comunicação mais dura contra a inflação. Stephen Miran votou por corte de 0,25 ponto.
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Analistas, como Aroop Chatterjee, da Wells Fargo, veem o resultado como sinal de discussão mais intensa sobre o rumo da política monetária norte-americana, o que pode limitar apostas em reduções de juros neste ano.
O conflito no Oriente Médio sustenta a alta do petróleo, que voltou a superar US$ 119 o barril, ante cerca de US$ 70 antes do início dos ataques. O bloqueio do Estreito de Hormuz pressiona os preços de combustíveis nos EUA, onde a gasolina já custa em média US$ 4 o galão.
Com a economia norte-americana ainda mostrando força, o Fed indicou que aguardará novos dados antes de alterar a taxa, reforçando a incerteza sobre os próximos movimentos, especialmente após a possível posse de Kevin Warsh como presidente do banco central em junho.
Juros mais altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e a reduzir o apetite global por risco, avalia Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos. Esse cenário pressiona bolsas, encarece o custo de capital e aumenta a atratividade dos títulos do Tesouro norte-americano frente a outros ativos.