Em artigo no blog De Grão em Grão, o planejador patrimonial Michael Viriato descreveu como investidores que procuram renda fixa assumem riscos distintos ao escolher entre títulos prefixados, indexados ao IPCA ou atrelados ao CDI/Selic.
Segundo Viriato, três amigos recebem a mesma informação — os juros estão elevados — e tomam rumos diferentes:
• Prefixado: o primeiro investe em Tesouro Prefixado, travando a taxa atual por acreditar que o Banco Central (BC) reduzirá a Selic além do previsto.
• IPCA: o segundo prefere títulos indexados à inflação oficial, buscando proteção caso o índice de preços surpreenda para cima e os juros reais recuem.
• CDI/Selic: o terceiro acompanha a política monetária diretamente em papéis pós-fixados, partindo do pressuposto de que o mercado já embutiu cortes excessivos na curva futura.
O colunista cita o Tesouro Prefixado 2029, com vencimento em 31/12/2028, negociado a 13,69% ao ano. A taxa inicial é inferior à Selic de 14,5% ao ano; para o investimento superar a taxa básica, a Selic teria de cair rapidamente para uma média inferior a 13% até o fim de 2028.
Imagem: redir.folha.com.br
• No prefixado, o investidor lucra se a queda dos juros for maior do que a já projetada pelo mercado, mas enfrenta volatilidade até o vencimento.
• No IPCA, há blindagem contra inflação inesperada, porém, num cenário estável com juros reais elevados, o retorno pode ficar aquém do CDI.
• No CDI, a remuneração acompanha a Selic, mas cai se o BC reduzir os juros mais depressa do que as expectativas atuais.
Viriato frisa que nenhuma das alternativas é “isenta de opinião”. O erro comum, diz ele, surge quando o investidor não reconhece qual cenário está comprando. “Ignorar isso não elimina o risco; apenas o torna invisível”, conclui.
Michael Viriato é fundador da Casa do Investidor.